Entre os diversos registros de sua vida que o líder do Black Sabbath, Ozzy Osbourne, morto nesta terça-feira, fez ao longo da carreira está uma autobiografia lançada em 2009 e que chegou ao Brasil em 2010. De forma cômica, “Eu Sou Ozzy” parte da juventude delinquente do músico que fundou o heavy metal, passa pelo surgimento da banda icônica, com a qual se apresentou, em seu último show, no início do mês, e vai até os seus problemas com o vício em drogas e a vida com a sua família.
Relembre trechos do livro, que foi relançado no país em 2022 pela editora Belas Artes.
“Você tem uma perspectiva diferente em relação à carne depois de trabalhar num abatedouro por algum tempo. Lembro ter ido a um acampamento e estava fazendo um churrasco. Algumas vacas da fazenda ao lado vieram até ali perto, cheirando, como se soubessem que algo estava errado. Comecei a me sentir estranho. ‘Tenho certeza de que não era nenhuma vaca que vocês conheciam’, falei, mas elas não foram embora. Arruinaram a porra do meu churrasco. Não parece certo comer carne quando se está na companhia de uma vaca”, afirmou ele durante a adolescência, quando trabalhava em um abatedouro.
Nos anos 1970, quando ainda era casado com a sua primeira mulher, Thelma Riley, ele descreveu uma ida a um evento de degustação de vinhos em sua cidade natal, Birmingham, no Reino Unido.
“Na manhã seguinte, Thelma me perguntou ‘o que você comprou?’. Eu respondi ‘oh, nada’. E ela continuou ‘mesmo? Deve ter comprado algo’. E eu disse ‘Ah, bem, sim —acho que comprei algumas caixas’. Acontece que eu havia comprado 144 caixas. Fiquei tão bêbado que achava que estava comprando 144 garrafas. Aí um caminhão de entregas do tamanho do petroleiro Exxon Valdez parou em frente à Bulrush Cottage e começaram a descarregar caixas de vinho suficientes para encher a casa até o teto. Demorou meses para que eu e os roadies terminássemos com aquilo.”
“Eu me apaixonei loucamente por Sharon. O que acontece é que, antes de a conhecer, nunca tinha encontrado uma garota que fosse como eu. Quero dizer, quando saíamos as pessoas achavam que éramos irmãos, de tão parecidos. Onde fôssemos, sempre éramos os que estavam mais bêbados e os que falavam mais alto”, disse ele, ao declarar seu amor por sua mulher, Sharon Osbourne, com quem três filhos, Aimée, Jack e Kelly.
Em outro trecho, ele descreve a ocasião, durante uma reunião com agentes, em que decapitou, com a boca, a cabeça de uma pomba.
“Eu me levantei, andei pela sala, me sentei no braço da cadeira da garota de RP e tirei uma pomba do meu bolso. ‘Ah, que linda’, ela falou, dando outro sorriso falso. E olhou de novo para seu relógio. ‘É isso’, pensei. Abri minha boca o máximo possível. Do outro lado da sala, vi Sharon estremecer. Aí comecei ‘chomp, spit’. A cabeça da pomba caiu no colo da garota, salpicando sangue. Para ser honesto com vocês, eu estava tão bêbado que tinha gosto de Cointreau. Bom, Cointreau e penas. E um pouco de bico. Aí joguei a carcaça na mesa e olhei enquanto se mexia.”
“O show era no Rock in Rio, um festival de dez dias com Queen, Rod Stewart, AC/DC e Yes. Um milhão e meio de pessoas compraram ingressos. Mas eu fiquei desapontado com o lugar. Tinha esperado ver a garota de Ipanema em cada esquina, mas não vi nenhuma. Havia só um monte de crianças pobres correndo pelo lugar como ratos. As pessoas eram ou absurdamente ricas ou viviam nas ruas —parecia não haver nada no meio”, descreveu ele em sua vinda ao festival, no Rio de Janeiro, há 40 anos.

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