Morte brutal de pernambucana de 11 anos, assassinada por colegas da escola, choca o país – e traz de volta o horror da cultura machista no Brasil
JC
Publicado em 13/09/2025 às 0:00
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Espancada por adolescentes dentro do banheiro da escola onde deveria estar segura, no Sertão de Pernambuco, na cidade de Belém do São Francisco, Alícia Valentina, de apenas 11 anos, morreu poucos dias depois, com graves traumas na cabeça. Um adolescente foi apreendido como responsável, após as buscas o localizarem em Floresta. Pela lei brasileira, o apreendido não é considerado criminoso, nem os colegas que participaram da violência: Alícia não foi espancada por um só, mas por um grupo de pelo menos quatro. Nessa perspectiva, a morte da menina foi resultado de um ato infracional, não de um crime. Assim sendo, quem matou Alícia?
A violência adolescente ganhou atenção mundial, recentemente, com a série “Adolescência”, na qual um garoto de 13 anos é acusado de matar uma colega de mesma faixa etária. Dentre as cenas que geraram debate, logo no início, causa desconforto nos espectadores a ação da polícia britânica, que invade a residência do garoto para prendê-lo. Na Inglaterra, um adolescente pode ser julgado e condenado por assassinato e outros crimes. Mesmo com a culpa objetiva apontada, a pergunta da peça ficcional – inspirada em casos reais – é idêntica à que podemos fazer agora: como a sociedade, em seu comportamento coletivo, em sua atitude cotidiana, tem na fúria adolescente, via de regra, masculina, uma reprodução da cultura que se propaga socialmente?
A jornalista e escritora Cristina Fibe, do Universa, comentou o caso pernambucano, afirmando que “há um exército de homens adultos por trás do crime” cometido por um adolescente. “Alícia Valentina não foi morta porque disse não a um garoto. Ela foi morta porque, em sua escola, em seu círculo social, existem meninos que foram ensinados que as meninas devem se submeter a eles. Que reagem com violência quando são contrariados, rejeitados ou questionados por garotas. Onde meninos tão jovens estão aprendendo a ter tanta raiva do gênero oposto?”, indaga a colunista. As perguntas se sobrepõem, e as respostas também.
Há uma combinação de fatores típicos da contemporaneidade global, que se conjugam a raízes históricas locais, para reforçar a misoginia, o ódio e o hábito de agressão às mulheres – desde crianças, aliás, as meninas são apresentadas a essa realidade. Os feminicídios, infelizmente, são a ponta de um iceberg horrendo. Para combater as causas, a violência contra as mulheres não pode passar naturalizada, como assunto doméstico. Em qualquer ambiente social – inclusive o familiar – esforços devem ser empreendidos para mudar a mentalidade machista e inibir o gene da violência de continuar se desenvolvendo em proporções aviltantes, que agridem também a coletividade que deveria se organizar para proteger as vítimas.
Alícia foi morta por seus colegas, apontam os indícios. E pela sociedade que gera e permite a fúria masculina que se transforma em espancamento mortal de uma menina de 11 anos dentro de um banheiro escolar.

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