De um total de 2.493 ônibus em operação, 982 ônibus estão circulando com a vida útil vencida, o que corresponde a 39,4% de toda a frota
Roberta Soares
Publicado em 03/09/2025 às 17:15
| Atualizado em 03/09/2025 às 17:34
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– GUGA MATOS/JC IMAGEM
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Apesar da informação de que o transporte público da Região Metropolitana do Recife vai receber R$ 32 milhões para a aquisição de 40 ônibus mais sustentáveis e refrigerados pela edição 2025 do Novo PAC Mobilidade, a frota de coletivos do sistema nunca esteve tão velha. Principalmente a frota operada pelas empresas permissionárias, que representam 75% da operação e há 12 anos aguardam a conclusão da licitação das linhas pelo governo de Pernambuco.
Uma análise da composição da frota de ônibus que atende a Região Metropolitana do Recife, com dados referentes à primeira quinzena de agosto de 2025, revela um cenário preocupante de envelhecimento dos veículos. De um total de 2.493 ônibus em operação, uma parcela expressiva já ultrapassou o tempo de vida útil recomendado, o que pode impactar a qualidade e a segurança do transporte público.
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O levantamento detalhado mostra que 982 ônibus estão circulando com a vida útil vencida, o que corresponde a 39,4% de toda a frota. A idade média geral dos veículos em operação (Idade Média até Vida Útil Real) é de 5,69 anos. O envelhecimento da frota de ônibus compromete a imagem e a qualidade do transporte público e, o que é mais grave, a segurança das viagens para os passageiros.
ENTRE AS PERMISSIONÁRIAS, VIDA ÚTIL EXTRAPOLADA CHEGA A 53,5%

Confira quando os ônibus irão voltar às ruas. – GUGA MATOS/JC IMAGEM
A situação é mais crítica entre as empresas classificadas como permissionárias, cujo percentual de veículos com vida útil extrapolada chega a 53,5%. Dentro deste grupo, algumas empresas apresentam quadros especialmente graves. Confira a situação:
– Caxangá (CAX): É a empresa com a maior proporção de veículos velhos, onde 64,5% de sua frota (234 de 363 ônibus) opera além da vida útil.
– Empresa Metropolitana (EME): Também registra um índice elevado, com 62,0% de sua frota (144 de 236 veículos) nessa condição.
– Globo (GLO): Apresenta 49,0% de sua frota (77 de 157 veículos) com a vida útil vencida.
Borborema (BOA): Possui a frota com a maior idade média, 7,07 anos, e tem 47,3% (205) de seus 433 ônibus operando com a vida útil ultrapassada.
SITUAÇÃO DAS CONCESSIONÁRIAS É BEM MELHOR E EXPÕE A URGÊNCIA DA CONCLUSÃO DA LICITAÇÃO DAS LINHAS

No recorte individual, há empresas que estão com 64,5% da frota operando acima da vida útil recomendada. Das nove operadoras, apenas as concessionárias têm números menos graves – GUGA MATOS/JC IMAGEM
Em forte contraste, o grupo das Concessionárias exibe uma realidade mais favorável. Neste conjunto de empresas, apenas 10,4% da frota total (85 de 816 veículos) está com a vida útil vencida. O Consórcio Conorte – que opera o Corredor de BRT Norte-Sul e linhas na Zona Norte da RMR – se destaca positivamente, com o menor índice do levantamento: apenas 3,8% de seus 480 ônibus estão operando nessas condições.
Já a MobiBrasil, a segunda concessionária do sistema – que opera o Corredor de BRT Leste-Oeste e linhas na Zona Oeste da RMR -, tem 19,9% da frota em operação (67 de 336 ônibus) acima da vida útil recomendada.
A idade média da frota dessas empresas também é significativamente menor, com o Conorte registrando 3,90 anos e a MobiBrasil, 3,88 anos, muito abaixo da média geral do sistema, que é de 5,69 anos.
ADIAMENTOS DA LICITAÇÃO REMANESCENTE PIORARAM A SITUAÇÃO

Quadro que mostra a idade média da frota de ônibus em operação no Grande Recife: permissionárias e concessionárias – Reprodução
Por trás do envelhecimento da frota de coletivos da Região Metropolitana do Recife está a dificuldade que o governo do Estado – independentemente da gestão partidária – tem há mais de 12 anos em concluir a licitação remanescente das linhas de ônibus. O início da concorrência vem sendo adiado há anos, postergando, consequentemente, a nova operação do sistema, que poderia melhorar a qualidade do serviço para o passageiro.
A previsão atual é de que a licitação, agora, só aconteça em setembro de 2026, nove meses depois do último cronograma anunciado pelo Estado, que seria janeiro de 2026. E, mesmo assim, sob risco de novos adiamentos devido aos entraves do processo que seguem acontecendo nos bastidores da gestão estadual.
CRONOGRAMA PREVISTO DA LICITAÇÃO DAS LINHAS DE ÔNIBUS

No recorte individual, há empresas que estão com 64,5% da frota operando acima da vida útil recomendada. Das nove operadoras, apenas as concessionárias têm números menos graves – Guga Matos/JC Imagem
Com o novo cronograma, a previsão é de que a licitação dos lotes remanescentes – os cinco lotes restantes representam 75% da operação – seja lançada apenas em novembro deste ano, após análise do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE). Pelo último calendário, a publicação do edital deveria ter sido feita em março, com expectativa de 90 dias para a conclusão do certame.
Enquanto que os contratos com os novos operadores seriam assinados em julho e o início da transição operacional aconteceria a partir de outubro de 2025. Para, em janeiro de 2026, a operação efetiva dos lotes começar. Mas tudo foi adiado e, agora, o usuário do Sistema de Transporte Público de Passageiros da RMR (STPP/RMR) terá que esperar, no total, um ano e seis meses por uma nova operação do transporte público.
Confira o atual cronograma estimado para a licitação das linhas de ônibus da RMR:
1) Conclusão dos ajustes/revisão dos estudos – 01/03/2025 (era julho/24)
2) Aprovação da documentação editalícia revisada pelo Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM), Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), Conselho Gestor do Programa de Parcerias Estratégicas (CPPPE), etc. – 01/05/25 (era setembro/2024)
3) Submissão ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) – 01/08/25 (era dezembro/2024)
4) Publicação do edital de licitação – 01/11/25 (era março/2025)
5) Abertura das propostas – 01/02/26 (era junho/2025)
6) Assinatura dos contratos – 01/03/26 (era julho/2025)
7) Início da transição operacional – 01/03/26 (era outubro/2025)
8) Operação efetiva dos lotes 3 a 7 pelas novas concessionárias – 01/09/26 (era janeiro/2026)
LICITAÇÃO DAS LINHAS DE ÔNIBUS INCOMPLETA HÁ 12 ANOS
A nova concorrência abrange cinco lotes (3 a 7) do Sistema de Transporte Público de Passageiros da Região Metropolitana do Recife (STPP/RMR), que correspondem a 75% da rede, com cerca de 260 linhas atualmente operadas por empresas permissionárias, ou seja, sem contrato licitado.
Os cinco lotes chegaram a ser licitados pelo Estado em 2013, com previsão de entrar em operação em 2014 e investimentos de R$ 10,5 bilhões ao longo de 15 anos. Mas os contratos nunca foram assinados porque os custos previstos ficaram altos demais para o Brasil pós euforia da Copa do Mundo de 2014.
Somente 25% da operação do sistema do Grande Recife foi licitada, enquanto que 75% seguiu com operadores permissionários, sem contrato jurídico de operação e dependendo, basicamente, da arrecadação tarifária.


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