SEGURANÇA VIÁRIA
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Média do SAMU tem sido entre 150 e 200 atendimentos a ocupantes das motos, tanto condutores como passageiros, desde 2024 no Grande Recife
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O número de atendimentos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) a ocupantes de motocicletas – condutores e passageiros – voltou a assustar na Região Metropolitana do Recife. Para se ter ideia da gravidade da situação, devido à pouca habilidade dos motoqueiros, potencializada pela vulnerabilidade intrínseca das motos, o SAMU tem realizado uma média de 200 atendimentos entre a noite de sexta-feira e a manhã de segunda-feira.
No último fim de semana, por exemplo, foram atendidos 147 sinistros de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB e a ABNT) envolvendo ocupantes de motocicletas. Os registros foram feitos entre as 19h da sexta e às 6h da segunda.
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E não para por aí: entre as 6h e as 12h da segunda, foram mais 29 atendimentos a colisões com motos, totalizando 176 registros num único fim de semana. Dos três óbitos registrados no local de atendimento do SAMU, dois foram de ocupantes de motos.
A média de atendimentos do SAMU nos fins de semana tem sido de 150 a 200 pelo menos desde 2024. As ocorrências, inclusive, representam mais da metade dos envios de ambulância do serviço.
EXPLOSÃO DE CASOS APÓS CRESCIMENTO DO UBER E 99 MOTO
A Região Metropolitana do Recife tem acompanhado um crescimento gradativo dos atendimentos a ocupantes das motocicletas desde 2022, com um pico ainda maior em 2023 e 204, sendo impossível não fazer uma associação com a expansão do serviço de transporte de passageiros com motos via aplicativo, como Uber e 99 Moto.

Mesmo sem regras e poucas exigências das plataformas, aplicativos de motos seguem autorizados pelos prefeitos das cidades onde operam – BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
Em maio de 2024, os números do SAMU já revelavam uma explosão da má condução de motocicletas no trânsito da Região Metropolitana do Recife e, principalmente, da capital pernambucana. Foram 2.464 casos a mais de atendimentos a ocupantes de motos – condutor e passageiro – nos 14 municípios da Região Metropolitana do Recife em 2023. A comparação é com o ano de 2022.
Entre 2021 e março de 2024, a RMR teve nada menos do que 25.738 atendimentos de vítimas de motos pelo SAMU. Enquanto a capital teve 14.636. A capital pernambucana é a cidade que lidera o ranking negativo do SAMU e, mesmo assim, a Prefeitura do Recife segue sem reagir ao crescimento do serviço de Uber e 99 Moto.
JABOATÃO DOS GUARARAPES E OLINDA COM ALTOS ÍNDICES

Uber Moto e 99 ficou de fora do PL dos Aplicativos – BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
Depois da capital pernambucana, as cidades com os maiores índices de atendimentos a feridos em quedas e colisões com motos na Região Metropolitana são Jaboatão dos Guararapes e Olinda. Enquanto o Recife acumulava 14.636 casos entre 2021 e março de 2024, Jaboatão tinha 2.749, e Olinda, 2.023.
Dos quase 26 mil casos registrados pelo SAMU na RMR desde 2021 e até março de 2024, 19.200 foram entre 2022 e 2024 – exatamente o período de entrada do Uber e 99 Moto no Grande Recife. Quando o recorte é feito apenas sobre a capital pernambucana, o mesmo cenário preocupante se destaca. Dos 14.636 atendimentos, 11.059 foram registrados entre 2022 e 2024.
MAIORIA DAS VÍTIMAS TÊM SIDO OS PASSAGEIROS DAS MOTOCICLETAS
As principais vítimas das motocicletas após a explosão dos apps de transporte têm sido os passageiros. São eles quem mais sofrem e que têm as maiores lesões. Segundo profissionais da área de saúde ouvidos em outras reportagens pelo JC, os condutores das motos conseguem se antecipar à colisão ou à queda. Mas o passageiro não. Geralmente está distraído na garupa, solto, e no celular. Muitos, inclusive, não utilizam, sequer, um capacete adequado.
Outro aspecto perigoso evidenciado é a frequência de atendimentos a ocorrências em rodovias que cortam o Grande Recife, inclusive BRs. E os sinistros nas rodovias são de maior energia porque são sempre entre motos e caminhões ou motos e carros, tendo o óbito como desfecho comum. Quando a morte não acontece, são fraturas com amputação ou expostas.






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