PT e PSB: entre o amor e a mágoa, uma história sempre repetida

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PT e PSB: entre o amor e a mágoa, uma história sempre repetida


O PT e o PSB em Pernambuco caminham entre apoios frágeis, rupturas e reconciliações, mas quase sempre com perdas concentradas no PT.



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Caso a aliança entre o PT de Lula e o PSB de João Campos venha a se tornar realidade para a próxima eleição em Pernambuco, restará apenas saber quem, dessa vez, mais uma vez, ficará com o prejuízo. Porque alguém sempre leva prejuízo nessa relação. No estado, quase sempre é o PT.

Os petistas e os socialistas têm um histórico de relação tão conturbada que se assemelha a um relacionamento tóxico, do tipo “sofro, mas amo”.

Seria impreciso dizer que essas questões partidárias começaram em 1989, na primeira eleição direta para presidente da República após a redemocratização, porque Miguel Arraes, governador na época, era do PMDB e não do PSB ainda.

A filiação do bisavô do prefeito do Recife ao Partido Socialista Brasileiro só aconteceu em 1990. Mas a relação dele com o PT, ali mesmo, já era curiosa.

Arraes e Lula

Em 1989, Arraes era um mito dentro da esquerda brasileira e o maior representante dela no Nordeste. Durante a eleição nacional, porém, Lula era sua terceira opção.

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No interior se diz que o sujeito tem um candidato para colar adesivo no muro e outro para colar na porta da geladeira. A foto do candidato que fica na cozinha é a do coração, que só os mais íntimos sabem. O candidato do muro é só uma formalidade.

O candidato do muro de Arraes era Ulysses Guimarães (PMDB) e o da porta da geladeira era Leonel Brizola (PDT). De Lula, o então governador de Pernambuco nem tinha foto, mas foi ele quem acabou no segundo turno e recebeu apoio do político pernambucano. Arraes finalmente subiu em seu palanque.

Todos perderam, Collor venceu.

Apoios frágeis

Na eleição de 1994 e de 1998, Arraes aceitou apoiar Lula contra Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com quem tinha sérias arestas. O mínimo que se esperava era que, tendo Arraes a força que tinha no estado, Lula conseguisse vencer a eleição ao menos por aqui.

Mas o petista terminou com apenas 37% dos votos em Pernambuco. A verdade é que o socialista não transferiu votos prometidos para o petista. Arraes foi eleito no primeiro turno com 54% da votação. E Lula não chegou nem perto desse patamar.

Em 1998, ano em que o governador eleito de Pernambuco foi Jarbas Vasconcelos (MDB), o resultado de Lula (com apoio de Arraes) foi ainda pior do que quatro anos antes: 31% dos votos pernambucanos. E outra vez o petista ficou pelo caminho, perdendo a eleição para FHC em sua terra natal.

Eduardo Campos

Saindo do avô Miguel para o neto Eduardo Campos, a relação de amores tóxicos entre os dois partidos se intensificou. Em 2006, o PT apoiou o PSB no segundo turno, mas isso só aconteceu depois que o candidato petista ao Governo de Pernambuco, Humberto Costa, considerado favorito na disputa contra o então governador Mendonça Filho (Eduardo era o terceiro nas pesquisas), foi envolvido em denúncias de corrupção.

Campos venceu a eleição no fim, com apoio de Humberto que, quatro anos depois foi inocentado das acusações por total falta de provas.

Dentro do PT sempre houve quem acusasse o PSB de ter plantado as denúncias, já que foi o maior beneficiado, mas isso também nunca foi confirmado.

Recife em disputa

O PT e o PSB continuaram entre tapas e beijos até 2012, na eleição para a prefeitura do Recife, que os petistas dominavam desde 2000.

Na época, o prefeito João da Costa (PT) estava com baixa avaliação, mas queria tentar a reeleição de qualquer jeito.

Eduardo Campos aproveitou o impasse. Convenceu os petistas de que o grupo iria perder o comando da capital e incentivou para que houvesse um bate-chapa interno na sigla, evitando a candidatura de João da Costa e abrindo dissidências internas no partido aliado.

A confusão provocada pelos socialistas na sigla de Lula cresceu ao ponto de o PT nacional ter que intervir e indicar que Humberto Costa fosse candidato à prefeitura. Era uma tentativa de colocar ordem, mas a guerra interna já tinha fraturado o grupo.

Com o partido aliado já fragilizado, Campos aproveitou e deu um golpe fatal: lançou Geraldo Julio (PSB), de sua confiança, contra o próprio PT.

E, desde então, o PSB nunca mais largou a prefeitura do Recife. O partido já está no quarto mandato seguido, hoje com o filho de Eduardo sentado na cadeira.

João Campos

Em 2020, na primeira eleição majoritária, João Campos escreveu mais um capítulo dessa novela com o PT.

Depois de apoiar Aécio em 2014 e votar a favor do impeachment de Dilma em 2016, o partido ficou flutuando entre o governo de Michel Temer (MDB), com ministérios na gestão, e uma oposição ressentida que tentava se reaproximar da esquerda.

Com a eleição de Bolsonaro (PL), que estava à direita demais até para os socialistas mais camaleões, a sigla precisou voltar às suas origens no plano nacional, mas no plano local Marília Arraes iria disputar contra Campos, no Recife. E ela estava no PT.

Para vencer, João precisava dos votos da direita. E não teve dúvida, bateu nos petistas.

Relação abusiva

As falas do candidato socialista, fazendo referência à corrupção no PT e até às prisões de integrantes do partido da adversária (Lula tinha passado quase dois anos na cadeia) deixaram os petistas e o próprio Lula extremamente magoados.

Campos, que buscava garantir os votos bolsonaristas na cidade, chegou a prometer que nunca colocaria ninguém do PT para trabalhar na gestão, caso fosse eleito.

A promessa não durou até o fim do mandato. E o PT, por mais estranho que pareça para quem já apanhou tanto nessa relação, sempre volta a dormir no sofá do PSB.

Terapia política

Este é um comportamento muito peculiar, aliás, que já foi bastante comentado aqui na coluna Cena Política.

A relação entre o PSB e o PT é extremamente abusiva, mesmo com alguma oposição dentro da sigla. Sim, alguns petistas, entendendo esse problema, tentam o afastamento e uma valorização maior dentro do vínculo. Ainda assim, há sempre um grupo que acredita não ter condições de sobreviver sem o sofá socialista.

O sofá do PSB parece confortável, quentinho e tranquilo, mas continua sendo um sofá.

Quando isso acontecer novamente para 2026, se é que vai acontecer, talvez já seja o caso de procurar um analista e fazer muita terapia. A situação é séria.





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