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Desde seu famoso TED Talk em 2009, a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie tornou-se uma voz importante na luta contra “a história única”. Esse conceito, segundo ela, define o relato de realidades complexas e multiculturais em apenas uma perspectiva redutora.
Ela costumava se referir principalmente à estereotipação de um povo e sua cultura a uma só característica. Na última semana, em sua passagem pelo Fronteiras do Pensamento em São Paulo, ela falou sobre indivíduos —e afirmou que os desumanizamos quando os reduzimos a uma única coisa.
Uma das mais relevantes escritoras de língua inglesa hoje, ela esteve em uma maratona no Brasil para divulgar seu novo romance “A Contagem dos Sonhos”. No livro, ela espera que os leitores vejam humanidade em uma mulher que foi abusada sexualmente.
A personagem fictícia Kadiatou foi inspirada em uma mulher real, a guineense Nafissatou Diallo, que, segundo Chimamanda, foi vítima não só de agressão sexual mas de uma cobertura midiática problemática. “Não lhe foi permitido ser humana.”
Em entrevista à Folha, ela falou sobre esse tema e também sobre cristianismo e colonialismo. Ao ser questionada sobre a desigualdade racial no Brasil, que visitou algumas vezes, Chimamanda afimou ter notado um avanço —mas isso não seria digno de “biscoito”, porque “o racismo nunca deveria ter acontecido”.
Bienal
A Bienal do Livro no Rio de Janeiro registrou um público recorde de 740 mil pessoas, ou seja, um aumento de 23% em relação à edição anterior. E o crescimento nas vendas foi proporcional, com 6,8 milhões de livros comercializados.
Como analisa o editor Walter Porto: “Com estímulo do passeio familiar e rezando para achar bons descontos, muita gente viaja na direção de bienais ou feiras ansiando para conhecer autores ou passar um dia agradável. E acaba fazendo ali compras que represaram no resto do ano”.
O diferencial da edição deste ano foi a junção de feira literária com parque de diversões. A atenção para os estandes e a presença de autores famosos foi dividida com “escape rooms”, cosplays e roda-gigante. Autores brasileiros celebrados como Conceição Evaristo, Raphael Montes e Itamar Vieira Junior lotaram espaços do evento enquanto livros de capa fofa mas com conteúdo erótico abarrotaram estantes.
Feira
Já a Feira do Livro em São Paulo contabilizou 80 mil visitantes, contra 64 mil do ano passado. Editoras também celebram aumentos. A Autêntica vendeu 140% a mais que na última edição e a Record relatou salto de 40%, por exemplo.
Estabelecida oficialmente no calendário da capital paulista, a Feira teve nove dias de momentos marcantes como o editor Luiz Schwarcz lotando o auditório Armando Nogueira; Marcelo Rubens Paiva celebrando a mãe como a verdadeira heroína de sua família; um homem invadindo o palco e interrompendo a poeta Bruna Beber para dizer um texto de protesto; e uma partida de futebol no estádio Pacaembu escalando escritores.
As conversas na praça Charles Miller foram de religião com Lázaro Ramos e Ronilso Pacheco a bajubá com Amara Moira. Dos grandes projetos literários de Beatriz Bracher e Marilene Felinto às opiniões esportivas de Ugo Giorgetti e Mario Prata.
O público da Feira se emocionou com a homenagem ao jornalista Dom Phillips e também se chocou com a declaração de Jorge Carrión, que acusou a escrita de Paulo Coelho de ser reproduzível por inteligência artificial.
Além dos livros
A Flip anunciou nesta semana a programação completa de sua edição deste ano, que acontece de 30 de julho a 3 de agosto em Paraty. Pela primeira vez em 23 edições, a festa literária não terá nenhum escritor nascido nos Estados Unidos nem em qualquer outro país anglófono. Alguns dos destaques são o italiano Sandro Veronesi, a mexicana Cristina Rivera Garza, a sueca Liv Strömquist e a espanhola Rosa Montero. A curadoria é novamente de Ana Lima Cecilio.
O diplomata, professor e ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero foi anunciado como o vencedor do prêmio Machado de Assis deste ano. O mais alto reconhecimento da Academia Brasileira de Letras é escolhido de acordo com o conjunto da obra do autor. Em cerimônia no dia 25 de julho, Ricupero receberá a honraria e o prêmio de R$ 100 mil.
A executiva italiana Chantal Restivo-Alessi, diretora digital e de línguas internacionais do grupo HarperCollins, está na linha de frente do acordo de editoras com empresas de inteligência artificial. Como conta o Painel das Letras, Restivo-Alessi defendeu a decisão da HarperCollins de fechar acordo com empresas de tecnologia para que parte dos livros da editora possam ser usados para treinar modelos de IA.



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