Insatisfação popular com o regime, problemas na economia e antagonismo com os Estados Unidos podem tornar instável o Oriente Médio
JC
Publicado em 12/01/2026 às 0:00
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Um país envolto em conflitos numa das regiões mais conturbadas do planeta, enfrenta agora uma onda de protestos contra o governo autoritário, diante da situação de crise na economia, castigando a população. Mas as dificuldades econômicas, que podem até ser o estopim, são apenas parte do problema no Irã. A sequência de manifestações nas ruas tem levado a ditadura iraniana a tentar sufocar a movimentação popular com repressão, o que resulta em mais indignação. E pressão que vem de fora, em especial, do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sem constrangimentos ou freios efetivos ao comportamento atrelado à nova estratégia de segurança da Casa Branca, Trump não perde uma oportunidade para avisar ao mundo que o síndico da Terra é ele, imaginando-se com poder de intervenção e interferência nos assuntos de qualquer outra nação, além daquela para a qual foi eleito.
O aiatolá Ali Khamenei responde com violência em cima dos manifestantes, e alertas de escalada bélica a potenciais alvos de bases e aliados dos EUA, como Israel. No fogo cruzado que vem de dentro e de fora das fronteiras iranianas, a democracia entra na pauta devido ao momento de tensão dupla. Mas nem as condições políticas internas sinalizam para retomada do processo democrático, apesar dos protestos, nem as declarações policialescas de Trump apontam para uma mobilização de força na dimensão necessária para derrubar o regime do Irã. Em ambos os casos, ao menos por enquanto, a democracia continua algo utópico para os iranianos.
A continuidade e o aprofundamento da instabilidade lá dentro, onde cerca de 200 pessoas já foram assassinadas pelo governo em decorrência dos protestos – segundo a organização Iran Human Rights – fazem com que o assanhamento do neoimperialismo estadunidense não se contenha, inicialmente em sua retórica. Se houver a percepção de vulnerabilidade do regime a uma intervenção externa, como na Venezuela, onde a abdução de Nicolás Maduro pareceu fácil diante das condições existentes para o ataque, talvez seja possível um ensaio de intervenção dos EUA na região, mais uma vez. A diferença é que desta vez seria sob as ordens de Trump, o presidente que almeja o Nobel da Paz investindo na guerra, na intimidação das armas e na multiplicação das mortes e vítimas.
Com poderio militar considerado alto, enquanto a vida do povo se complica com perda do poder aquisitivo, a ditadura iraniana se equilibra entre as duas pressões. O que talvez não seja novidade na história do país, no entanto fica mais suscetível a uma quebra do regime pelo acúmulo de deficiências ao longo de décadas. Um cenário que não diverge muito, na superfície, do que se passou em Caracas. E ainda se passa, pois o regime venezuelano segue no posto, agora aparentemente subordinado à Casa Branca. O que se teme é que eventual ação norte-americana no Irã desencadeie consequências piores, em maior escala do que Trump viu até o momento.

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