O MDB perdeu força também para outros partidos do “Centrão”, com o bom desempenho de partidos como o União Brasil e dos Republicanos
Publicado em 04/11/2024 às 5:00
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Entre as análises mais evidentes acerca das eleições municipais de 2024 no Brasil, está a que destaca o fortalecimento de partidos de centro e direita, em especial o PSD e o PP, que obtiveram um aumento significativo de prefeituras e consolidaram sua influência. O PSD emergiu como o partido com mais prefeituras, vitorioso em 891 municípios, governando a maior população, ultrapassando o MDB, com 864 prefeituras conquistadas. Por sua vez, o PP consagrou-se vencedor em 752 municípios. O MDB perdeu força também para outros partidos do “Centrão”, com o bom desempenho de partidos como o União Brasil, que conquistou 591 prefeituras, e dos Republicanos, que foram vencedores em 440 municípios, refletindo a crescente fragmentação política no Brasil.
O enfraquecimento do PSDB também é notável: com uma redução significativa no número de prefeituras desde 2020, conquistou apenas 276 em 2024, o que coloca sua relevância no cenário político atual em cheque. Outra legenda que também não teve bom resultado foi o PDT, que saiu vitorioso em apenas 151 municípios. A fragmentação na direita e os resultados modestos para o PT, tradicionalmente forte na base popular, indicam um eleitorado que parece preferir moderação, longe de extremos ideológicos, abrindo novas perspectivas para a eleição presidencial de 2026.
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A força expressiva do PSD no âmbito municipal reforçou a liderança de Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro no Governo Dilma Rousseff. Conhecido por sua habilidade política e por consolidar o PSD como uma força centrista e extremamente pragmática, Kassab soube atrair figuras influentes e construir alianças estratégicas, o que fortaleceu o PSD em cidades de porte médio e capitais, ampliando seu capital político para negociações em 2026.
O PL ficou abaixo das expectativas, apesar do apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. A redução da influência de Lula e de Bolsonaro foi evidente nas eleições, pois a capacidade de transferência de votos mostrou-se inferior às projeções iniciais. O PT, que teve uma ligeira recuperação no número de prefeituras conquistadas em relação a 2020, enfrenta desafios nas capitais e ainda luta para retomar seu antigo protagonismo.
Ainda entre as mensagens deixadas pelas eleições municipais de 2024, há o recorde histórico de reeleições. Dos 3.006 prefeitos que buscaram renovar seus mandatos, 2.461 obtiveram êxito, representando uma taxa de sucesso de aproximadamente 82%, conforme dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM).
A partir dessas percepções, inevitavelmente começam os desenhos para a conjuntura eleitoral de 2026, já com movimentação de possíveis candidatos, sinalizada pelos próprios resultados de 2024. Entre os nomes cotados pela direita estão Ronaldo Caiado (União Brasil), governador de Goiás, e Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, ambos fortalecidos por vitórias expressivas em suas bases. Gilberto Kassab, com a força consolidada do PSD, já lançou Ratinho Júnior como potencial candidato. Romeu Zema (Novo), atual Governador de Minas Gerais e Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, são nomes que podem entrar na disputa em 2026.
Na esquerda, o cenário envolve o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que avalia, neste momento, o peso da sua influência e mantém aberta a possibilidade de uma nova candidatura, principalmente se conseguir ampliar o apoio popular e político até 2026.
Outra alternativa é o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, visto como o sucessor natural de Lula dentro do PT. Haddad tem experiência administrativa e uma visão econômica alinhada com as demandas do partido, características que o tornam um candidato promissor. Sua popularidade, aliada a uma campanha bem articulada, poderia consolidar o PT como um competidor significativo em 2026, fortalecendo a presença de uma esquerda mais moderada e voltada para a governabilidade, em um cenário de política pragmática e menos polarizada.
Essas eleições, portanto, enviam uma mensagem clara para a política nacional: o eleitorado valoriza a moderação e as lideranças pragmáticas. A fragmentação na direita e a reavaliação da esquerda serão essenciais para o caminho a 2026, uma eleição que promete novos desafios em um país cada vez mais politicamente diverso e demandante por gestões eficientes e próximas das realidades locais.
Priscila Lapa, jornalista e doutora em Ciência Política; Sandro Prado, economista e professor da FCAP-UPE.



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