O Museu de Arte de São Paulo, o Masp, decidiu suspender as vendas dos cavaletes de cristal originais de Lina de Bo Bardi depois que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, abriu uma investigação sobre a saída dessas peças, que são tombadas, do acervo da instituição.
No entendimento do museu da avenida Paulista, é o conceito expositivo da arquiteta modernista que tem a proteção do órgão de defesa do patrimônio, e não as peças individuais criadas pela instituição desde a década de 1960. Já o Iphan, em seu decreto de tombamento, especifica que também os cavaletes, blocos de concreto com uma folha de vidro sobre a qual as obras do acervo são afixadas, são protegidas pelo ato.
Diante do impasse, e apesar do grande interesse de patronos e financiadores do museu em comprar essas peças que estavam à venda por R$ 75 mil cada uma, o Masp decidiu suspender a oferta —cinco cavaletes estavam ainda disponíveis na loja do museu até o Iphan, alertado pela coluna há um mês, anunciar sua investigação.
“As vendas foram suspensas por uma decisão unilateral do Masp enquanto o Iphan avalia internamente seu entendimento sobre o tema”, afirma Paulo Vicelli, diretor de comunicação do museu. O Iphan, por sua vez, diz que essa apuração interna ainda está em curso, sob sigilo.
Os famosos cavaletes de cristal, parte central do pensamento de Lina Bo Bardi na idealização do Masp, eram usados na pinacoteca do museu para sustentar seus quadros, dando o efeito de as obras flutuarem no espaço numa grande massa transparente. Eles foram aposentados na gestão do arquiteto Júlio Neves à frente do museu e depois recuperados sob o comando do atual presidente, Heitor Martins, que assumiu a instituição em 2014.
Responsáveis pela atual gestão encontraram, ao assumir o Masp, 91 cavaletes no depósito do museu, muitos deles sem a folha de vidro e em condições precárias de conservação. De acordo com a atual gestão, como as peças já não estavam mais adequadas a padrões museológicos atuais, réplicas modernas das peças forma encomendadas à firma Metro Arquitetos —são elas que sustentam as obras agora na galeria do acervo permanente da casa.
O museu tem vendido essas bases originais ao longo dos últimos três anos. Das 91 remanescentes, 20 foram postas à venda e hoje restam cinco. O Iphan esclarece que a venda de bens tombados não é proibida, mas deve ser comunicada ao órgão de defesa do patrimônio caso sejam protegidos por decreto.
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