Plástico: Iphan investiga venda pelo Masp de cavaletes originais de cristal de Lina Bo Bardi

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Plástico: Iphan investiga venda pelo Masp de cavaletes originais de cristal de Lina Bo Bardi


Os cavaletes de cristal de Lina Bo Bardi, peça central de seu pensamento para as galerias do Museu de Arte de São Paulo, estão à venda. O Masp vem se desfazendo desses originais ao longo dos últimos três anos, algo que só agora chama a atenção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, que tem o museu e seu mobiliário protegidos por tombamento e diz ter aberto um processo para investigar a situação das peças.

Durante a pandemia, a direção do museu teve a ideia de levantar fundos para a instituição então fechada com a venda desse mobiliário. Os cavaletes, ofertados primeiro a diretores e patronos financiadores do museu, estavam guardados num depósito e já não eram usados na galeria de pinturas da instituição. O problema com as peças antigas —as primeiras datam de 1968 e pesam 89 quilos, incluindo o pano de vidro e a base de concreto— é que elas já não eram adequadas para padrões museológicos atuais e quebravam com facilidade. Preservando o projeto estético da arquiteta, o museu encomendou réplicas modernizadas à firma Metro Arquitetos, as peças na pinacoteca que hoje sustentam as telas do acervo.

O preço de cada cavalete posto à venda era R$ 75 mil, mas um deles chegou a ser vendido na feira americana Art Basel Miami Beach por cerca de US$ 60 mil, segundo pessoas próximas à negociação, em 2022. A galeria Gomide&Co confirma ter vendido a obra, mas não divulga o preço pago nem o comprador. Reconhece, no entanto, que o cavalete ficou com um colecionador estrangeiro.

Segundo fontes próximas às negociações, a decisão de vender as peças teve embasamento jurídico num parecer elaborado por Fábio Ulhôa Coelho, atual vice-presidente do museu e então um dos conselheiros da instituição. À época, a decisão foi chancelada pela vice-presidente Juliana Sá, de acordo com essa avaliação de Ulhôa Coelho, e pela presidência do museu —quem assina os certificados de autenticidade das peças é Heitor Martins. O museu não tinha e ainda não tem um diretor jurídico, mas mantém uma equipe de especialistas que presta consultoria à direção.

De acordo com Paulo Vicelli, diretor de comunicação do Masp, 91 cavaletes, a maioria já sem a parte de vidro, só com a base de concreto, estavam no depósito do museu quando a atual gestão, liderada pelo empresário Heitor Martins, assumiu o comando da instituição. Desses, 20 foram postos à venda há três anos e cinco ainda estão disponíveis por R$ 75 mil cada um na loja do próprio museu.

O entendimento do Masp em relação às peças diverge da maneira de ver do Iphan. Vicelli afirma que os objetos individuais não são alvo do tombamento, mas sim o sistema expositivo pensado por Lina Bo Bardi como um conceito. “O tombamento recai sobre o conceito e não sobre cada cavalete”, diz Vicelli. “Portanto, quando os cavaletes retornam [como réplicas] ao espaço expositivo, o desejo da Iphan de preservar o método da Lina está contemplado.”

Segundo o órgão de defesa do patrimônio, porém, o museu e todo o seu mobiliário são tombados. “Em razão de ser um tombamento do conjunto de cavaletes, as peças individualmente não podem ser comercializadas”, afirma o órgão, em nota.

Um documento do Iphan autorizando a saída do país do cavalete vendido nos Estados Unidos, porém, diz que à época não havia “restrição legal para saída do país”. Questionado, o Iphan diz que a autorização foi gerada de modo automático pelo sistema porque o solicitante, a galeria Gomide&Co, não informou que a peça era tombada e técnicos pensaram se tratar de uma das réplicas e não um cavalete original.

Thiago Gomide, sócio da galeria, afirma que nenhum pedido de autorização de saída de uma peça precisa destacar que é uma original. O próprio pedido feito ao Iphan, na visão do galerista, já denota que se trata de uma peça autêntica e por isso a pergunta ao órgão de defesa do patrimônio.

“Não havia nenhuma menção a ser original ou réplica. Quando se vende uma obra original não se escreve que ela é original”, diz Gomide. “Quando se vende uma réplica, sim, normalmente se escreve que é uma réplica. Como não tinha nada, acho que está subentendido que é original.”

Ele acrescenta ainda que a discussão é inútil, que todos entendem que os cavaletes não são tombados, menos o Iphan. “Quando se tomba uma casa, daí precisa trocar os canos ou o revestimento do piso porque está danificado, você guarda o entulho? O entulho está tombado?”, ele questiona. “Os cavaletes que o Masp vendeu foram considerados velhos demais pelos conservadores do museu, iam para o lixo.”

Colaborou Eduardo Moura


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