Planet Hemp se despede de São Paulo com caldeirão de fumaça no Allianz

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Planet Hemp se despede de São Paulo com caldeirão de fumaça no Allianz


O Planet Hemp fez um caldeirão de fumaça no show deste sábado (15) no Allianz Park, em São Paulo.

A apresentação faz parte da turnê “A última ponta”, que marca a despedida dos palcos da banda underground que nasceu em 1993 no bairro do Catete, no Rio de Janeiro, e despontou rapidamente cantando pela legalização da maconha e contra o racismo e a violência policial.

Os shows, que começaram em setembro, passaram por Salvador, Recife, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Goiânia, Brasília e Belo Horizonte. O grand finale está marcado para o dia 13 de dezembro, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro.

O BaianaSystem abriu a noite depois de voltar de Las Vegas premiado com o Grammy Latino. Ainda assim, não faltou energia na participação especial.

Em algumas músicas do grupo soteropolitano, como “Saci” e “Cabeça de Papel”, a banda interagiu com dançarinos fantasiados, que fizeram boas performances.

“A Mosca”, “CertopeloCertoh” e “Duas Cidades” também animaram o público, que enfrentou um frio atípico para a época do ano.

O Planet entregou um show muito bem produzido. Antes de a banda subir ao palco, os telões trouxeram uma retrospectiva de episódios de repressão à cannabis, de movimentos de contracultura, de violência no Rio de Janeiro e da história do próprio grupo.

A linha do tempo se transformou num livro em homenagem a Skunk, integrante da banda que morreu de Aids em 1994.

Os capítulos acompanhavam o show com letras sincronizadas e traziam momentos marcantes, como a prisão dos músicos em 1997 após um show. Eles foram acusados de apologia às drogas.

O setlist fez jus ao estilo raprocknrollpsicodeliahardcoreragga do grupo, que já começou a apresentação com a frenética “Dig Dig Dig” (“Hempa”). Não faltaram “Queimando Tudo”, “Legalize Já”, “Mantenha o Respeito”, “Stab” e ‘Zerovinteum”, além de músicas mais recentes, como “Jardineiro” e “Distopia”.

A fumaça, claro, marcou a noite. No palco, o gelo seco intenso trazia a pegada do Planet. Na plateia, sinalizadores levados pelo público transformaram a roda de bate-cabeça em um caldeirão de névoa que se misturava àquela que vinha dos baseados.

O livro-show homenageou músicos como Marcelo Yuka e Chico Science. De convidados vieram Emicida, Pitty, Seu Jorge, Black Alien, João Gordo e DJ Zegon.

Com a cantora baiana, o grupo cantou “Admirável Chip Novo” e “Teto de Vidro”. Já Seu Jorge, que já foi integrante do Planet, fez um solo de flauta doce e cantou com a banda a música “Quem tem Seda?”, cuja letra inspirou um anúncio feito em papel do material que circulou em edições da Folha no início do mês.

Apesar das várias palavras contra o fascismo e a intolerância, a apresentação teve tom de despedida, com muitos abraços e Marcelo D2 dizendo diversas vezes o quanto estava emocionado. O público, queimando tudo, permaneceu animado até o bis.



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