Escritor gaúcho morreu aos 88 anos em Porto Alegre; País decretou luto oficial de três dias e personalidades exaltaram sua genialidade
JC
Publicado em 30/08/2025 às 19:55
| Atualizado em 30/08/2025 às 20:04
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*Com informações da Agência Brasil e Estadão Conteúdo
O Brasil perdeu neste sábado (30) um de seus maiores escritores e cronistas: Luis Fernando Verissimo, aos 88 anos, em decorrência de complicações de uma pneumonia. O autor morreu em Porto Alegre (RS), onde estava internado no Hospital Moinhos de Vento. O velório acontece na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Reconhecido por transformar a vida cotidiana em literatura marcada por ironia, inteligência e humor afiado, Verissimo publicou mais de 80 livros e vendeu mais de 5,6 milhões de cópias ao longo da carreira.
Criador de personagens memoráveis como o Analista de Bagé, Ed Mort e As Cobras, deixou um legado que atravessou a literatura, o jornalismo, os quadrinhos e a televisão — com destaque para a adaptação de Comédias da Vida Privada.
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Homenagens e luto oficial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial de três dias em todo o País. Em nota, exaltou a importância do escritor para a literatura e a democracia:
“Luis Fernando Verissimo, um dos maiores nomes de nossa literatura e nosso jornalismo, nos deixou hoje aos 88 anos de idade. (…) Soube usar a ironia para denunciar a ditadura e o autoritarismo, e defender a democracia”.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também decretou três dias de luto no estado, destacando o impacto de sua obra: “Verissimo deixa um legado que permanecerá vivo em suas palavras, sempre atuais e cheias de sensibilidade e humor”.
Repercussão cultural
A Academia Brasileira de Letras (ABL) destacou, em nota de pesar, que Verissimo “nos ensinou a imaginar uma vida mais leve” e ressaltou sua importância como um dos autores mais queridos do País.
Artistas e escritores usaram as redes sociais para homenagear o cronista.
O dramaturgo Walcyr Carrasco escreveu: “Luis Fernando Verissimo foi o cronista da vida simples, das emoções humanas mais verdadeiras, do cotidiano que só ele sabia transformar em obra. Um gigante que fez da simplicidade a sua genialidade”.
A escritora Martha Medeiros também se manifestou. “Por mais que a gente pense que está preparado, a morte é sempre um baque, uma violência. Obrigada, mestre, por todas as linhas, reflexões, epifanias e risadas”.
“Todo amor para Lúcia, Fernanda, Mariana, Pedro e família. Imensurável é ‘o pai’”, escreveu o cartunista Angeli.
O escritor Itamar Vieira Júnior, autor de Torto Arado, publicou: “Uma lágrima e muitas salvas, Mestre Luis Fernando Verissimo!”.
Trajetória e legado
Filho do também escritor Érico Verissimo, Luis Fernando nasceu em Porto Alegre e viveu parte da infância e adolescência nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, trabalhou em publicidade antes de ingressar no jornalismo, consolidando-se como colunista no Zero Hora, O Estado de S.Paulo e O Globo.
Ao longo de décadas, escreveu mais de 60 livros — entre crônicas, contos, romances, sátiras políticas e literatura infantil — traduzidos para diversos idiomas. Foi ainda cartunista, roteirista e saxofonista, apaixonado por jazz, integrando o grupo Jazz 6.

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