Reconhecimento da derrota eleitoral, além de civilidade, é uma prova de respeito à escolha coletiva e de compromisso com o processo democrático
Publicado em 09/11/2024 às 0:00
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De volta ao foco das atenções depois da disputa eleitoral de que não participou, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, declarou, fazendo menção à derrota de Kamala Harris, sua vice, e parabenizando Donald Trump pela vitória: “Garanti a ele que direcionaria todo o meu governo para trabalhar com sua equipe a fim de uma transição pacífica e ordenada. É isso que o povo americano merece”. A candidata que perdeu foi explícita em sua mensagem, indo além do sentido administrativo. Disse Kamala Harris: “Um princípio básico da democracia americana é que, quando perdemos uma eleição, aceitamos o resultado. Esse princípio, assim como todos os outros, é o que vai diferenciar uma democracia de uma monarquia ou tirania”.
As falas dos perdedores da eleição validam a democracia, conferindo legitimidade ao processo eleitoral e mostrando o necessário respeito à escolha da maioria da população – sobretudo quando a decisão coletiva se dá na direção oposta, instalando outros no poder. Mas nem todos partilham dessa compreensão, quando uma votação desfavorável os retira do exercício do poder que, talvez, suponham perpétuo. Se o poder não fosse transitório, não seria democrático. E transitório significa mutante, em rodízio que deve servir para melhorar a democracia, justamente proporcionando a troca cuja necessidade é identificada pela maioria.
O próprio Donald Trump foi protagonista de um dos capítulos recentes mais sombrios da história política norte-americana. Ao não admitir a derrota para Biden, quatro anos atrás, e não ver o mandato renovado, Trump se portou feito garoto mimado que não quer saber de obedecer a nada nem ninguém. O pior é que transmitiu para parcela de seus seguidores a impressão de que as instituições democráticas valeriam menos do que a vontade dos perdedores na eleição. A invasão ao Capitólio foi um marco de incivilidade e de desprezo à ordem da democracia. Tanto que se temia a repetição de ações brutais, caso o republicano não se elegesse, este ano.
No Brasil, a imitação da invasão ao Capitólio nos EUA gerou a depredação da Praça dos Três Poderes, em Brasília, após meses de acampamentos que pregavam abertamente um golpe de Estado, com o objetivo de impedir a posse de Lula, vitorioso nas últimas eleições presidenciais contra Jair Bolsonaro. Repetindo Trump, Bolsonaro não reconheceu a derrota nas urnas, acentuando a imagem de um líder pouco interessado nos rituais democráticos, e mais preocupado com o poder pelo poder.
O contraste entre o comportamento de Biden e Harris – ou de Fernando Henrique, no Brasil, quando passou o cargo à Lula, em 2002 – à birra de quem parece se entronizar no poder, deve ser exemplo para todos os políticos, em qualquer disputa eleitoral. Perder o poder faz parte de quem está na política, e deseja realizar o bem coletivo, como essência de sua atividade pública e da compreensão de seu papel na democracia.
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