A persistência do assalto ao dinheiro público no país não distingue matiz ideológica ou bandeira partidária, com estímulo da impunidade aos corruptos
Publicado em 08/02/2025 às 0:00
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As oportunidades de aproveitamento ilícito da gestão pública para obtenção de recursos que seriam destinados ao bem coletivo, continuam aparecendo aos montes no Brasil. Sem que os mecanismos de defesa institucional demonstrem agilidade e, às vezes, até disposição para barrar o ímpeto dos ladrões. Da merenda escolar a equipamentos de tratamento de saúde – até na pandemia – passando por obras de variados portes, os corruptos não perdem tempo, avançando sobre o menor sinal de vulnerabilidade. Se não participam diretamente dos esquemas, alguns governantes passam o pano da condescendência, como se a normalidade fosse o assalto aos cofres públicos, e não, sua blindagem contra bandidos já chamados, noutras eras, de colarinho branco.
A miséria pode ser alvo da exploração insensível e gananciosa da corrupção que não tem medida ou punição. Como num programa criado para levar comida a moradores de rua. Uma máquina de ladroagem foi montada por ex-assessores de políticos do PT, através de Organizações Não-Governamentais (ONG) de fachada, que receberam recursos para comprar e distribuir quentinhas – que não chegaram ao destino. O governo federal, do mesmo partido, teve que acionar a Polícia Federal para investigar essa tragédia brasileira, depois que a denúncia saiu na imprensa. Mais uma vez, o jornalismo surge como imprescindível para fazer surgirem os esquemas que, por descuido, claro, nenhum governo enxerga antes de virem à tona pelo noticiário.
Em São Paulo, outra denúncia da imprensa mostrou que as emendas parlamentares estaduais foram utilizadas para destinar recursos financeiros a ONG e organizações privadas que não cumprem o requisito essencial da transparência, no recebimento e objetivo do dinheiro recebido. Em Goiás, o ex-governador Marconi Perilo, atualmente presidente do PSDB está sendo investigado, também, por repasses a ONG na área de saúde entre 2012 e 2018. A relação de políticos com entidades precisa ser alvo de intensa vigilância dos órgãos de controle, que demandam informações disponíveis e vontade política para cumprir suas funções e encaminhar os processos de responsabilização. Mas antes de chegarem aos tribunais de contas, por exemplo, toda destinação de dinheiro parte da designação de um gestor público. É nessa hora que a corrupção começa – e é aí que a impunidade tem que acabar.
A anulação das punições da operação Lava Jato, nesse contexto, representou um imenso passo atrás para a Justiça brasileira, em especial para o STF e seu papel de guardião da Constituição. Sem a defesa contra os corruptos, a democracia fica à mercê dos aventureiros que se colam ao poder com a voracidade dos ladrões que não temem nada, pois nada há a temer. A universalização da corrupção no Brasil tem uma história recente de décadas que atravessa ideologias, governos, líderes e partidos: da ditadura militar a PC Farias no governo Fernando Collor, passando por gestões federais, estaduais e municipais de partidos como o PT, o PSDB e siglas do Centrão, com envolvidos ligados a Lula ou a Bolsonaro, para recordar a polarização mais recente. Infelizmente, a corrupção parece ser o consenso único na política nacional – além da unidade entre ferrenhos adversários, para a eleição dos presidentes do Senado e da Câmara, claro.
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