Envio de mensagens machistas pelo policial acusado de matar a companheira, também policial, vira exemplo de violência que não cabe em nosso tempo
JC
Publicado em 19/03/2026 às 0:00
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Sim, é onde ela quiser. Mas não pode continuar sendo um lugar de desamparo, cerceamento e humilhação. O machismo decadente segue firme no comportamento violento cuja continuidade provoca o sofrimento silencioso de muitas mulheres, e se não for freado, culmina no feminicídio. Seja nos relacionamentos tóxicos e abusivos, seja no assédio em local de aprendizado ou trabalho, e ainda, no encontro fortuito com homens desconhecidos que não fazem questão de esconder a misoginia, as cidadãs brasileiras merecem mais proteção, acolhimento – e sobretudo, respeito.
A redefinição do lugar da mulher na sociedade passa pela valorização de seu papel social, pelo reconhecimento de conquistas como direitos estabelecidos, pela ampliação da representatividade política e em cargos de liderança nas empresas. Mas não apenas, embora esses fatores não deixem de ser fundamentais. Somente quando os homens compreenderem a decadência do machismo e seu anacronismo, e rechaçarem o ódio e o desprezo pelas mulheres, esse outro lugar começará a ser aceito como deve ser. Lugar de mulher não é em casa cuidando de homem, como uma mensagem masculina expressou, antes de matar a companheira, como noticiado esta semana. O cuidado que não significa dedicação da livre vontade se aproxima da submissão servil – que não reflete o amor, mas o medo.
A brutalidade no relacionamento entre um casal de policiais militares, que terminou com a esposa baleada e o criminoso preso, infelizmente não é caso raro, onde a desigualdade de gênero se mostra como uma das faces do país da desigualdade. O machismo na tela do celular revelou o preconceito firme na mente masculina, para a qual as etiquetas dos papeis numa relação parecem as mesmas há séculos: “Lugar de mulher é em casa, cuidando do marido. E não na rua, caçando assunto. Rua é lugar de mulher solteira à procura de macho”, escreveu ele, para ela. Tal sinalização tão explícita não é estranha ao pensamento e ao comportamento de muitos brasileiros – e é isso que precisa, urgentemente, mudar, mesmo que demore, porque é do tipo de mudança que vem se dando devagar, e ainda pode levar décadas para se consolidar.
No pedido de prisão da Corregedoria da PM, as mensagens carregam a “concepção de relacionamento baseada em submissão e hierarquia no âmbito doméstico”. Mais que isso, os pressupostos machistas tendem a transformar a relação amorosa em relação de obediência, fazendo da mulher que não se submete uma desobediente sujeita à violência do companheiro. O lugar da mulher, num caso como esse, é a léguas de distância. O verdadeiro lugar da mulher na sociedade brasileira, ainda está para ser ocupado, em sua plenitude: com liberdade, equidade, segurança, tranquilidade e justiça. Um lugar no futuro, pois o que a maioria das mulheres enfrenta no cotidiano dramático, ou trágico, não é esse lugar de agora, de barbaridades compartilhadas com a naturalidade da violência impune.
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