Deputados e senadores apresentaram projetos e pedidos de homenagem após sucesso e premiação com Oscar de melhor filme estranfgeiro, no domingo (2)
Publicado em 05/03/2025 às 19:55
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O Oscar histórico de “Ainda Estou Aqui”, premiado como melhor filme estrangeiro no último domingo (2) motivou aapresentação de várias propostas legislativas no Congresso Nacional, em defesa do cinema brasileiro. As matérias vão de projetos de incentivo ao setor no País a homenagens concedidas ao longa de Walter Salles.
O deputado federal Carlos Veras (PT-PE), atual primeiro secretário da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, protocolou na última sexta-feira (28), o Projeto de Lei nº 742/2025, que cria a Lei Ainda Estou Aqui.

Deputado Carlos Veras (PT-PE) defende criação de lei que estimula manutenção do cinema tradicional, de rua – Divulgação
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A iniciativa altera a Medida Provisória nº 2.228-1, de 6 de setembro de 2001, para criar o Cadastro Nacional de Cinemas Tradicionais e assegurar que filmes brasileiros premiados nos circuitos de festivais possam ser exibidos nesses espaços desde a sua semana de estreia.
MERCADO CINEMATOGRÁFICO
A proposta também prevê que a Agência Nacional do Cinema (Ancine) seja a responsável pela criação e manutenção do Cadastro Nacional de Cinemas Tradicionais. Para o deputado, a medida busca equilibrar o mercado cinematográfico e garantir que as produções brasileiras alcancem um público mais amplo e diversificado desde o início de sua trajetória comercial.
Atualmente, muitos filmes nacionais só conseguem ser exibidos nas salas tradicionais semanas após o lançamento. Levantamento da Ancine aponta que o Brasil tem uma média de 3.266 salas de cinema, distribuídas entre shoppings e espaços tradicionais de exibição (cinema de rua).

Cinema São Luiz reabriu, em novembro de 2024, com exibição do filme Ainda Estou Aqui – Divulgção
Reaberto em novembro de 2024 após uma reforma, o Cinema São Luiz está entre as seis salas mais antigas do País. Inaugurada em 1952, completa 73 anos em 2025. A reinauguração aconteceu durante a Janela Internacional de Cinema, com a exibição de “Ainda Estou Aqui”.
Segundo o autor da Lei Ainda Estou Aqui, a proposta pretende ampliar o acesso a filmes nacionais premiados e tem a intenção de fortalecer os “patrimônios cultural e artístico nacionais”.
Carlos Veras afirma, na justificativa do projeto, que a lei permitira às salas de cinemas tradicionais “condições para que disputem de maneira mais justa com as grandes redes comerciais, promovendo diversidade e equilíbrio no mercado cinematográfico”. A proposta foi apresentada na semana passada e ainda deve receber um despacho para análise nas comissões da Câmara.
REDE DE ENSINO
Já a deputada delegada Adriana Accorsi (PT-GO) apresentou projeto para obrigar a exibição do filme “Ainda Estou Aqui” nas escolas de ensino médio da rede pública e privada. A ideia é que o longa faça parte do programa pedagógico voltado à conscientização sobre temas sociais, históricos e de direitos humanos”.
No Senado, o líder do PT, senador Rogério Carvalho (SE), protocolou um projeto para incluir o nome de Rubens Paiva no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, que fica no Panteão da Pátria, na Praça dos Três, em Brasília.

Cena do filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles – STILL
ELENCO E FAMÍLIA
O sucesso de “Ainda Estou Aqui” também vai motivar uma série de homenagens. Deputados e senadores apresentaram requerimentos de sessões solenes e moções de louvor em homenagem ao cinema nacional, à direção do filme, ao elenco e, em especial, à família de Rubens Paiva, cuja história dedesaparecimento durante o regime militar inspirou o filme, pela perspectiva de sua esposa Eunice Paiva.
Os pedidos tiveram a autoria ou apoio de parlamentares do PT, PSB, PSD e MDB. A maioria das propostas foram apresentadas por parlamentares de partidos de esquerda ou da base aliada do governo. No Senado, pedidos para a realização de uma sessão especial, apresentados pelos senadores Randolfe Rodrigues (PT-AP) e Leila Barros (PDT-DF), foram aprovados.

Imagem do filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, com Fernanda Torres – STILL
REPERCUSSÃO DO FILME
O longa-metragem do diretor Walter Salles conta a história de luta da família Paiva, após o desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva durante a ditadura militar, em 1971. A atriz Fernanda Torres interpreta Eunice Paiva, a viúva de Rubens Paiva. Pela sua atuação, ela recebeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Drama.
O fime é uma adaptação do livro de Marcelo Rubens Paiva, filho de Eunice e Rubens. A deputada Juliana Cardoso (PT-SP) apresentou uma indicação para que o Ministério da Educação distribua o livro nas escolas das redes públicas de educação básica.
A produção vem alcançando destaque de público e bilheteria no País, que já ultrapassou a marca de mais de 5 milhões de espectadores e arrecadou R$ 104,7 milhões em renda. Isso significa a terceira maior bilheteria nacional desde 2018, atrás apenas de “Minha Mãe é uma Peça 3” (2018) e “Nada a Perder” (2019).
ANTES DO OSCAR
As homenagens já vinham acontecendo desde a repercussão do filme. Em dezembro de 2024, a Câmara dos Deputados homenageou a atriz Fernanda Torres, a advogada Eunice Paiva (in memoriam) e o escritor Marcelo Rubens Paiva, com a Medalha Mérito Legislativo. Essa premiação é realizada anualmente e é designada por líderes partidários e integrantes da Mesa Diretora.

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