Em meio a rumores crise no casamento, um perfil no Instagram cheio de posts enigmáticos e fãs preocupados com sua saúde mental, Justin Bieber lançou, de surpresa, nesta sexta-feira (11), o disco “Swag”.
No sétimo álbum de sua discografia, o cantor abandona de vez o posto de popstar —o gênero que o levou ao estrelato nem dá as caras em um disco com 20 faixas que transitam pelo rap e por um R&B à la SZA.
O contato com esses gêneros não é novidade, já que em “Changes“, de 2020, Bieber mergulhou no trap, aproximando seu som de nomes como Travis Scott e Post Malone. Mas assim como nesse disco, em “Swag”, ele volta a tropeçar no mesmo problema, com faixas parecidas entre si, que deixam o disco monótono e previsível.
Por isso, não é sua melhor obra nem seu melhor momento na carreira —parece muito mais o reflexo direto de uma crise de identidade. Sentimento que se reflete quando Bieber inclui, entre as faixas, um áudio em que o comediante americano Druski diz a ele: “Sua pele é branca, mas sua alma é negra.”
Após cancelar uma turnê mundial em 2022 por problemas de saúde mental e sofrer uma paralisia facial, o cantor passou a usar suas redes sociais quase como um diário. Seu perfil no Instagram está cheio de mensagens reflexivas, vídeos engraçados e fotos despretensiosas.
Com um sucesso meteórico em 2010, o cantor ficou famoso ainda na adolescência e parece estar colhendo até hoje os frutos amargos dessa fama precoce. Recentemente, ele foi flagrado brigando com paparazzi, dizendo que os fotógrafos só queriam dinheiro e não se importam com ele. Ele até incluiu um trecho dessa fala em “Butterflies”, na qual discorre sobre desilusão com a fama e o dinheiro.
Em meio a esse período conturbado em sua vida, ele adota um apelo mais gospel e fala sobre Deus. Em “Glory Voice Memo”, Bieber parece estar fazendo uma pregação e canta “mas eu, eu estendo minhas mãos, estou Te implorando por misericórdia.”
Essa veia cristã já tinha se manifestado no disco anterior, “Justice”, de 2021, mas aqui ela parece ainda mais evidente. Já na faixa que abre o álbum, ele clama: “É tudo o que eu posso suportar. Deus sabe que tento.”
“Swag” também marca uma nova fase do cantor, agora pai de Jack, seu primeiro filho com Hailey Bieber, que nasceu em agosto do ano passado. Embora tenha incluído fotos com o filho na divulgação do novo álbum —sem mostrar o rosto do bebê—, o tom paternal não aparece nas letras. Ele continua, no entanto, falando sobre amor.
Conhecido pelas canções fofinhas que faziam as “beliebers” delirarem, o cantor passou a compor praticamente só músicas românticas pensando em Hailey desde que se casou —o disco “Justice” é uma verdadeira serenata para a esposa.
Mas uma suposta crise no casamento começou a rondar a mídia. O auge aconteceu quando Hailey saiu na capa da revista Vogue e Bieber fez um post admitindo que eles haviam tido uma briga feia, na qual chegou a dizer que ela nunca seria capa da publicação.
Em “Swag”, ele admite que as brigas fazem parte da rotina do casal. Na faixa “Walking Away”, entoa versos como “e garota, é melhor a gente parar antes de falar besteira”. Já em “Devotion”, diz que é totalmente devoto à mulher.
O disco se encerra com mais um louvor a Deus, entoado pelo pastor Marvin Winans, intitulado “Forgiveness”. E, em meio a essa pregação, fica claro que o álbum não traz hits capazes de alçá-lo novamente ao estrelato como fizeram músicas como “Sorry” e “Peaches” —correndo o risco de ser esquecido em sua discografia.
Ainda assim, traduz a atual persona que Justin busca construir: a de um jovem cristão, ciente de seus defeitos, apaixonado pela esposa, e desiludido com a fama.




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