Opinião – Veny Santos: Internet: da terra de ninguém à dos ventríloquos pervertidos

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Opinião – Veny Santos: Internet: da terra de ninguém à dos ventríloquos pervertidos


A omissão da maioria do Congresso Nacional quanto à elaboração de uma sólida regulamentação para as redes sociais e plataformas de criação e disseminação de conteúdo na internet está aí, a cada dia, a cada risco, a cada tentativa de homicídio, demonstrando suas consequências. Como se não bastasse a maioria de parlamentares que se nega a tratar crimes cibernéticos pelo que são e usam o termo “liberdade” de maneira abstrata na tentativa de evitar o esforço de raciocinar pelos caminhos nada fantasiosos na lógica, a sociedade civil se afunda no grande aterro de uma “deep web” já não tão profunda assim.

Eu poderia ter perdido pessoas amadas no show da cantora Lady Gaga, realizado no último dia 3 de maio, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Se o plano de explodir bombas, articulado via internet, tivesse sido executado, centenas de vítimas teriam sido feitas na noite de celebração. Pelo Discord, plataforma popular entre jovens —e também adultos que se passam por jovens, criminosos lançaram um “desafio coletivo” que consistia, objetivamente, em matar pessoas LGBTQIAPN+. Violência e assassinato como status social dentro das redes.

A Polícia conseguiu evitar o ataque e prender os evolvidos. Contou, inclusive, com uma ligação fundamental denunciando o que estava para ser executado. Um com porte de armas ilegal e discurso de ódio outros, menores de idade, armazenando conteúdo com pornografia infantil e gerenciando perfis que cometiam crimes de ódio nas redes. O que há de novo? A frequência, não tanto o conteúdo.

“Vou virar serial killer, tô nem aí”. Uma das frases encontradas no grupo de Instagram que arquitetou ataque com facas contra uma docente no Rio Grande do Sul. E a rede social com isso? Não há resposta porque não há regulamentação. No máximo, depois que a desgraça já está feita, aí fornecem —à força— informações requisitadas pela justiça. A professora foi esfaqueada. Poderia ter morrido.

Em casos recentes de crimes articulados pela internet, houve menção aos grupos extremistas articuladores de planos macabros. “Ventríloquos pervertidos”, estes tipos, incapazes de viver em civilidade na condição que se colocam —e colocam os outros, precisam ser rastreados não apenas pela polícia, mas pelo próprio povo. Pelas pessoas que identificam qualquer movimentação estranha em redes sociais. Há que se lembrar a estes aí, jogados à miséria de si mesmos, que nenhum submundo é seguro o bastante para eles. Que podem —e provavelmente serão— traídos pelas suas próprias “marionetes assustadas”. Mesmo que não sejam pegos, seus planos serão.

Numa realidade que tratasse a questão dos crimes em redes socais com a devida seriedade, “inofensivos” comentários em publicações também não passariam em branco. Respondeu com racismo, misoginia, transfobia? Escreveu como escrevem as gangues que disseminam discurso de ódio? Já deveria ser levado à investigação policial ou, no mínimo, encaminhado à SaferNet Brasil. Se propaga violência contra comunidades vulnerabilizadas é porque direta ou indiretamente possui ligação com quem, às escuras, articula o ato final.

Para se chegar aos ventríloquos, deve-se seguir os tímidos —mas afiados e letais— fios de suas abobadas marionetes.


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