Opinião – Sérgio Alpendre: Lalo Schifrin foi além de ‘Missão: Impossível’ em boas trilhas de cinema

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Opinião – Sérgio Alpendre: Lalo Schifrin foi além de ‘Missão: Impossível’ em boas trilhas de cinema


Quando pensamos em Lalo Schifrin, músico nascido na Argentina e radicado nos Estados Unidos, onde morreu, na última quinta-feira, aos 93 anos, lembramos logo de seu trabalho em trilhas sonoras para televisão e cinema, sobretudo do marcante tema da série “Missão: Impossível”, lançada em 1966.

Schifrin, contudo, já tinha uma carreira sólida, embora recente, como compositor, pianista e arranjador de jazz, com discos marcantes como “Piano, Strings and Bossa Nova”, “Lalo=Brilliance”, ambos de 1962, o prenunciador “Between Broadway and Hollywood“, de 1963, e o belíssimo “New Fantasy”, que destaca sua incrível capacidade como arranjador.

Ele já havia assinado, em 1958, a trilha do filme argentino “El Jefe”, de Fernando Ayala. Mas é em 1964 que começa a compor com regularidade para cinema e TV, na França, com “Jaula Amorosa”, de Réné Clement, e nos Estados Unidos, com “Rinoceronte”, de Ivan Tors, e com o surf movie “Gone With the Wave”, que revela, como muitos de seus álbuns anteriores, uma grande influência de ritmos latinos, entre eles o samba e a bossa nova.

Dirigido pelo desconhecido Phil Wilson, o filme existe no mapa pela música de Schifrin, que é excelente. O que importa é que abriu um caminho no cinema hollywoodiano que o músico saberá explorar com maestria, acompanhando a modernização do cinema americano naquela década.

Em 1965 já emplaca a trilha de dois longas: o inglês “Assassinato por Encomenda”, de Jack Cardiff, e o americano “A Musa do Diabo”, veículo para Steve McQueen em que Norman Jewison substituiu o demitido Sam Peckinpah.

A partir desse ano, a lista de trabalhos de Schifrin no audiovisual, se publicada integralmente, transformaria esta edição do jornal numa lista telefônica. Passaremos por alguns destaques, tentando equilibrar a qualidade da obra e da música.

“Missão: Impossível”, série televisiva de sete temporadas criada por Bruce Geller e iniciada em 1966, é notável de qualquer ponto de vista. O charme das tramas e do elenco era salientado por uma trilha de acordes marcantes, que depois ainda originaria um belo disco, todo comandado por Schifrin, com regravações e versões estendidas do famoso tema que marcou a série.

Na segunda metade dos anos 1960, Schifrin foi rei. Mas talvez nenhuma outra trilha tenha alcançado o mesmo impacto de seu trabalho mais conhecido. A que chegou mais perto foi a trilha de “Bullitt”, de 1968, longa de Peter Yates com McQueen que ajudou a formatar o policial mais físico e violento que dominaria os anos 1970.

Dentro desse tipo de policial, poucos são mais marcantes que a série “Dirty Harry”. Shifrin já havia trabalhado com Don Siegel em “Meu Nome é Coogan”, de 1968, e no formidável “O Estranho que Nós Amamos”, de 1971. Mas talvez sua trilha mais memorável desse período seja a de “Dirty Harry: Perseguidor Implacável”, primeiro da série, também de 1971.

A batida marcante, quebrada, do jazz aprofunda a pesquisa rítmica que marcou a música de “Bullitt”, ao mesmo tempo em que cai perfeitamente no drama de um homem em crise com sua violência interna.

Schifrin assina a trilha de outros três da série “Dirty Harry”, exceto o terceiro, “Sem Medo da Morte”.

Schifrin parecia incansável. E como compositor, não escolhia os projetos pelo currículo de quem estava por trás da câmera. Assinou, ao longo das décadas, trilhas quase sempre boas, quando não memoráveis, para uma enormidade de filmes esquecíveis.

Os longas notáveis são raros —dentre eles, “Telefone”, 1977, de Don Siegel, “O Casal Osterman”, 1983, de Sam Peckinpah, “Tango”, 1998, de Carlos Saura, e “O Quarto Protocolo”, 1987, de John Mackenzie, este último mais pela música do que pelas qualidades cinematográficas, embora não seja um filme desprezível.

Se o nível dos filmes em que trabalhou caiu bastante dos anos 1980 em diante, sua qualidade de compositor arranjador e condutor permaneceu inegável.

Schifrin continuou trabalhando incessantemente, indo dos arranjos para os concertos de “Os Três Tenores” até a fundação, com sua esposa Donna Schifrin, de uma gravadora, a Aleph, por onde lançaria diversos discos de músicas compostas, tocadas ou arranjadas por ele.



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