A solução para o problema das armas, nos Estados Unidos, é óbvia. A Segunda Emenda da Constituição americana, escrita em 1791, dá aos cidadãos o direito de andar armados. Ou seja, basta cumprir a lei.
Os americanos podem andar armados com as armas que existiam em 1791. Como é evidente, é a essas armas que a emenda se refere, e não a outras, cuja existência os legisladores não poderiam prever.
Portanto, todos os americanos que queiram um mosquete poderão tê-lo. E andar com ele na rua, se assim quiserem.
Caso se vejam confrontados com uma situação em que o recurso à violência seja inevitável, terão todo o direito de despejar a pólvora no cano da arma, introduzir a bucha de estopa, acomodá-la no fundo com a vareta da forquilha, inserir a bala, acrescentar nova bucha, preparar a culatra ao abastecer a caçoleta com nova carga de pólvora, incendiar a mecha e, 15 minutos depois do início dos preparativos, efetuar o disparo.
Infelizmente, esta minha solução tem merecido, da parte das autoridades americanas, o mais profundo desprezo.
E por isso continuam acontecendo ocorrências como as que tenho testemunhado. Estou nos Estados Unidos desde quinta e já vi cinco lojas com o seguinte aviso à porta: “Proibido entrar armado”.
É um aviso em tudo igual aos que indicam que é proibido fumar, mas nesse caso sobre armas.
A questão é que é fácil detectar se uma pessoa está fumando. Perceber se ela está armada é um pouco mais difícil.
Quem criou este sinal acredita que um indivíduo armado vai lê-lo e concluir: “Ah, que pena. Ia fazer compras nesta loja, mas eles não permitem a entrada de quem está armado. Vou então cumprir escrupulosamente esta indicação. Até porque, se eu entrar e os acontecimentos se precipitarem de modo que eu seja obrigado a sacar minha arma e disparar, no meio dos tiros eles vão perguntar: ‘Ei! O que é isso?! Você não viu o nosso sinal à porta?’, e eu vou ser tomado pela vergonha e não terei outro remédio senão guardar a arma e sair.”
O aviso me parece ser tão eficaz que eu decidi criar um especialmente para mim. Agora eu ando pelas ruas com um sinal pendurado em meu pescoço, que diz: “Não desejo ser atingido por projéteis.”
Quero ver quem é que tem coragem para transgredir.
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