Em 2018, a Victoria’s Secret realizou seu último Fashion Show, encerrando um ciclo iniciado em 1995 e consolidado na TV a partir de 1999 com o sucesso das famosas “angels”. Ao longo dos anos, o desfile celebrava um padrão de beleza marcado por corpos extremamente magros, leves curvas, pele clara e longos cabelos loiros ondulados —um ideal que a indústria da moda ainda luta para superar.
Após críticas sobre a falta de diversidade, o desfile está de volta, reformulado. Exibido na terça-feira em streaming e nas redes sociais da marca, o novo show buscou uma abordagem mais inclusiva, apresentando mulheres de diferentes nacionalidades, idades e tipos de corpo.
Entre as modelos, estavam Ashley Graham, Devyn Garcia e Paloma Elsesser. Além delas, Valentina Sampaio e Alex Consani representando a comunidade trans, e as veteranas Kate Moss, Eva Herzigová e Tyra Banks.
Apesar do esforço, o desfile ainda reforçou algumas divisões —modelos não magras desfilaram com roupas mais cobertas, enquanto as magérrimas exibiam lingeries mínimas. Da mesma forma, as modelos mais velhas também apareceram vestidas, levantando a questão de até que ponto essas escolhas foram da marca ou das próprias participantes.
O retorno do Victoria’s Secret Fashion Show reflete uma tentativa de adaptação à diversidade, mas a execução mostrou que o caminho para uma inclusão genuína ainda tem desafios a serem superados.
No auge dos anos 1990 e 2000, o tradicional desfile batia recordes de audiência e jogava os holofotes para Gisele Bündchen, Naomi Campbell, Adriana Lima, Candice Swanepoel, Tyra Banks e outras supermodelos. Porém, com o tempo, os espectadores diminuíram ao passo que as críticas ao desfile e a Ed Razek, ex-diretor da L Brands, empresa dona da Victoria’s Secret, aumentaram.
A demanda por mais diversidade e inclusão fez com que o show fosse encerrado em 2019, abrindo espaço para uma reinvenção.
Assim, o Victoria’s Secret Fashion Show ensaiou um retorno no ano passado com novo formato, intitulado Victoria’s Secret The Tour ’23. Diferentemente dos desfiles anteriores, o evento focou em uma abordagem artística que contou com entrevistas e performances, além de diversidade de modelos de diferentes nacionalidades, tipos de corpo e idades —as lingeries e asas icônicas foram deixadas de lado. O “rebranding”, porém, não alcançou o impacto esperado.
Agora, no ano em que vemos um levante de ideias dos anos 2000, como a ode à magreza extrema, o desfile é recriado em uma proposta similar à original, mas com novos formatos. A diversidade, porém, é limitada.
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Das 50 modelos, de mais de 20 países diferentes, a maioria ainda era magra, de pele clara e com longos cabelos esvoaçantes. Faltou um esforço verdadeiro para dar mais voz à diversidade.
Quem sempre gostou do Victoria’s Secret Fashion Show provavelmente continuará gostando, quem esperava novidade, talvez se decepcione.
No fim das contas, não é apenas a marca que precisa ser repensada, mas toda a indústria da moda. Assim, quem sabe, realmente se alinhe às expectativas de inclusão e diversidade da sociedade.
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