Há algumas semanas peguei covid-19, tive de me isolar e decidi maratonar uma série. Depois de resistir (por achar que era comédia), resolvi tentar O Urso (disponível na plataforma Disney+). Para minha grata supresa, não é comédia. E é uma série excelente, que tem muito a ver com economia.
Antes de tudo um aviso: spoilers leves à frente.
Economistas normalmente usam o que chamamos de função de produção para retratar a transformação de insumos (trabalho, capital, materiais etc.) em produto. No fim das contas, trata-se de uma caixa preta. O Urso nos permite dar uma espiada na caixa preta de um restaurante.
A terceira temporada traz uma discussão interessante sobre custos. Normalmente, supomos que há dois tipos de custos –os variáveis (que dependem de quanto se produz) e os fixos (que precisam ser pagos independentemente do que a firma faça). Custos variáveis podem ser mitigados ajustando a produção; mas os fixos não –a menos que se feche a empresa.
No caso de O Urso, depois de o restaurante passar por uma megareforma, o excêntrico chef decide adotar a estratégia de trocar o cardápio todo santo dia. Isso dificulta o processo de diluir os custos fixos. Como retratado na série, por exemplo, os funcionários precisam ser treinados para produzir os novos pratos –o que leva a erros no início e, portanto, desperdício.
Com a repetição, esses erros tenderiam a diminuir. Assim, o custo fixo se diluiria à medida que a produção se acumula. Mas a ideia do chef de mudar o cardápio constantemente dificulta esse processo. Os custos disparam.
Funcionários insatisfeitos com a rotina maluca começam a pedir demissão. Novos empregados têm de ser contratados, o que é especialmente complicado no cenário pós-pandemia em que a série se passa, com mercado de trabalho aquecido, salários crescentes e dificuldade de encontrar trabalhadores.
Além disso, os fornecedores também se defrontam com seus próprios custos fixos. Por isso, tendem a oferecer preços mais baixos se o restaurante comprar quantidades grandes. Com as mudanças frequentes no menu, isso acaba não ocorrendo, contaminando novamente os custos do restaurante.
Apesar do sucesso inicial, o restaurante está com as contas em apuros, em parte por causa dessas mudanças. Veremos como isso será resolvido na próxima temporada.
Folha Mercado
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