O mundo da arte, sempre operando em todos os fusos horários, viveu uma falsa letargia neste inverno enquanto americanos e europeus se entregam ao dolce far niente do verão do lado de lá, mas a temporada esquenta agora, com a SP-Arte Rotas no fim do mês colada à abertura da Bienal de São Paulo. Isso faz as galerias reservarem o melhor do melhor do ano para este fim de estação tropical.
Na cena paulistana, um convidado mostra as plumas. É a primeira exposição de peso, e muito peso, da carioca Flexa nas terras de Mário de Andrade. Ocupando a galeria Claraboia, mais um braço da tentacular Almeida & Dale, a casa do Rio de Janeiro leva ao espaço dos Jardins uma seleção extraordinária de artistas.
Na ala dos consagrados, que dispensam apresentações, Adriana Varejão, Agnes Martin, Alexander Calder, Amilcar de Castro, Anna Maria Maiolino, Antonio Bandeira, Cildo Meireles, Ernesto Neto, Franz Weissmann, Iole de Freitas, Ivens Machado, Jac Leirner, Jesús Rafael Soto, Leonilson, Lucio Fontana, Lygia Clark, Lygia Pape, Mira Schendel e Tunga.
Entre os novatos em plena ascensão, Juliana dos Santos e Rebeca Carapiá, as duas escaladas para a próxima Bienal de São Paulo, que coroa a temporada de um ano em que as bienais do chamado sul global dominam, já que Veneza, na Itália, acontece só no ano que vem e a Documenta, em Kassel, na Alemanha, promete ressuscitar depois de uma grave crise daqui a dois anos.
CENTRO EXPANDIDO Essa megamostra de estreia da Claraboia tem ecos em outros espaços. O Auroras, centro cultural no Morumbi, longe do fervo das principais galerias paulistanas nos Jardins, em Pinheiros e na Vila Madalena, planeja um diálogo entre Ivens Machado e a americana Harmony Hammond.
Machado é um dos grandes artistas do país a centrar fogo na dicotomia entre a carne e a pele, passando pela política de cimento e vidro. Extraordinário e contundente em sua visão da nação, como já deixava claro no mapa do Brasil feito de pedra molhada e cacos de garrafas quebradas, também pensou a sensibilidade queer à luz da selvageria escravocrata em filmes que punham em primeiro plano o ataque entre brancos e pretos, violadores e violados, canibais e canibalizados.
NÚCLEO DURO Já o miolo da cidade que interessa aos megacolecionadores planeja outro desfile de exposições não menos importantes, entre clássicos e novinhos. A galeria Paulo Kuczynski monta uma exposição do italiano radicado no país Ernesto De Fiori, conhecido por suas esculturas e pinturas, e a Galatea, no mesmo bairro dos Jardins, revê a delicada obra de Wilma Martins, artista de grande sensibilidade que sempre fugiu dos holofotes.
Na contramão, a Martins&Montero planeja mostras de Deyson Gilbert, jovem artista conceitual de olhar ímpar, e Rebecca Sharp, pintora de delírios surrealistas em pequena escala que oferece novos mundos ao espectador a cada tela, construções de cor e escala exuberantes.
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