O Panorama volta para casa no ano que vem, comandado por Diane Lima. Mais tradicional mostra realizada pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo, que a cada dois anos tenta radiografar o cenário atual da arte brasileira, a exposição passa a ocupar de novo o museu no Ibirapuera em setembro, depois de uma edição realizada fora de suas galerias, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, por causa das reformas ainda em curso no parque desenhado por Oscar Niemeyer.
Lima, escalada para liderar a próxima edição da mostra, está agora em todo lugar ao mesmo tempo. Ela também foi nomeada para liderar a representação brasileira na próxima Bienal de Veneza, para onde já anunciou que vai levar trabalhos inéditos de Adriana Varejão e Rosana Paulino.
Enquanto isso, no MAM, ela orquestra “Depois que Tudo Foi Dito”, exposição ancorada em conceitos da artista e filósofa Denise Ferreira da Silva, que propõe pensar uma sensibilidade “além de tudo o que foi dito e feito sobre a violência colonial e racial, e o trabalho que elas realizam para o capital global”.
Numa exposição, que ainda não tem seus artistas definidos mas que teve seu conceito antecipado à coluna pelo MAM, isso pode se traduzir num exercício metalinguístico, ou seja, a tentativa de elencar obras de arte em grande parte de criadores negros buscando dissociar o trabalho do discurso atrelado a ele —nas palavras de Ferreira da Silva, que guiam Lima, entender “o que se torna possível ou impossível quando a obra de arte recusa qualquer coisa que possa ser dita sobre ela”.
Lima, sem dar detalhes da mostra, parece buscar, no fundo, uma expansão do vocabulário das artes visuais para além do ativismo hoje chamado de identitário, tentando reposicionar a obra de artistas de fora do cânone num lugar de linguagem fora do quadro cada vez mais rígido que se estabeleceu em torno de nomes que ganharam espaço no circuito por trabalhos que jamais entrariam na mira das grandes instituições e do mercado de arte.
“Quando falamos dos limites da representação pautados por um regime racial estético, nos referimos a um espaço que regula o pensamento composicional e os usos da linguagem, aprisionando e reduzindo a produção artística a um imaginário categórico, nos fazendo crer que as práticas artísticas precisam ser compulsoriamente transparentes para as identidades sociais”, ela afirma. “Onde estamos, onde chegamos e para onde queremos ir, além de tudo o que já foi dito, feito, visto, escrito e imaginado?”
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