Opinião – Nadine Nascimento: Festival Sensacional cresce com Caetano Veloso e Marina Sena, mas peca em estrutura

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Opinião – Nadine Nascimento: Festival Sensacional cresce com Caetano Veloso e Marina Sena, mas peca em estrutura


O Festival Sensacional! lembrava uma festa de cidade do interior ao ocupar o Parque Ecológico da Pampulha, em Belo Horizonte, neste fim de semana. A terra vermelha no chão compunha o cenário de horizonte azul, decorado com luzinhas amarelas penduradas, trailers de comida, carrinhos de pipoca e mesas com bancos de piquenique, que disputavam espaço com enormes esculturas psicodélicas infláveis.

Na maior edição de sua história, o festival —que começou em 2010, embaixo do viaduto Santa Tereza— celebrou 15 anos reunindo mais de 20 mil pessoas em dois dias de programação. Com um lineup de peso, escalou nomes como Caetano Veloso, Marina Sena, Iza e BaianaSystem, consolidando-se como um dos principais eventos culturais de Minas Gerais.

A festa começou na sexta-feira (27), com uma noite de abertura marcada pelo show de Caetano Veloso, que, após a turnê com a irmã Maria Bethânia, vem circulando pelos festivais do país. O baiano iniciou a apresentação com “Branquinha”, do álbum “Estrangeiro”, de 1989, e homenageou Gal Costa em “Vaca Profana”. Entre os sucessos da noite estiveram “Sozinho”, “Você Não Me Ensinou a Te Esquecer”, “Odara” e “Queixa”.

Já no fim do show, Caetano convidou ao palco Russo Passapusso, vocalista do BaianaSystem, para cantarem juntos “Um Baiana”, música composta por Caetano em homenagem à banda. O convite confirma o protagonismo do grupo baiano na cena musical atual, ao virar nome incontornável dos festivais de MPB e colecionar parcerias com inúmeros artistas.

Antes, a banda Jah-Van abriu os trabalhos da sexta com versões reggae de Djavan, recebendo no palco Chico César, Céu e Assucena.

O sábado (28) foi uma maratona musical, com dezenas de atrações e grande diversidade sonora. Zeca Pagodinho celebrou seus 40 anos de carreira com um repertório de clássicos do samba. Entre goles de vinho e cerveja, e até uma troca de roupa no palco, Zeca embalou o público com “Camarão que Dorme a Onda Leva”, “Quando a Gira Girou”, “Verdade” e “Vadiar”. Mesmo com dando início por volta das 16h, ele encontrou uma plateia lotada e engajada —talvez um horário mais nobre teria valorizado ainda mais sua apresentação.

No palco ao lado, Iza abriu seu show com “Fé”, canção de 2022 que ganhou nova força ao ser incorporada à turnê de Caetano e Bethânia. Usando um macacão colado ao corpo cravejado de brilhos, a cantora carioca pareceu surpresa com o tamanho do público que a aguardava. No setlist, sucessos como “Talismã”, “Gueto” e “Pesadão”.

Sua apresentação, marcada por forte presença percussiva, dialogou com a sonoridade de outros artistas da noite, como Marina Sena e os baianos Caetano, BaianaSystem e Melly —reflexo da influência crescente do pagodão baiano em gêneros diversos.

Marina Sena, uma das mais aguardadas da noite, superou as expectativas com o show da turnê de seu novo álbum, “Coisas Naturais”. No palco do Sensacional!, apresentou as 13 faixas do disco e relembrou sucessos de “De Primeira” (2021) e “Vício Inerente” (2023).

Nesta turnê, ela propõe um espetáculo que dispensa bailarinas e com total transparência —nem os bastidores escapam do olhar do público. Em “Ouro de Tolo”, faixa de encerramento, a câmera da cineasta Fernanda Fiuza projetou imagens de Marina bebendo água antes de voltar ao palco.

Se antes o show terminava com “Por Supuesto”, agora a música aparece no meio da apresentação, e Marina pergunta ao público se ainda não se cansaram dela.

Na apresentação, destaques também para o dueto com o grupo caribenho Çantamarta em “Doçura” e para o momento violão e voz com André Oliva, em canções como “Voltei pra Mim” e “Anjo”.

A nova geração da música urbana e baiana foi representada por L7nnon, Duquesa e Melly. Esta última, no entanto, foi prejudicada na programação, e teve que dividir horário com Iza —uma sobreposição que gerou críticas do público. O sábado também contou com shows da banda goiana Boogarins, em um tributo especial ao Clube da Esquina, e da veterana Evinha, ícone da Jovem Guarda que voltou aos holofotes após ter músicas sampleadas pelo rapper BK.

Com ingressos a partir de R$ 150, o Sensacional! cresceu em escala e relevância. Já passaram por seus palcos nomes como Djavan, Dona Onete, Marcelo D2, Ana Frango Elétrico e Banda Uó, reforçando sua vocação para celebrar a diversidade da música brasileira.

A mudança para o Parque Ecológico da Pampulha, desde 2023, marcou uma nova fase de expansão e estrutura para o evento, mas ainda há problemas.

À noite, a iluminação deficiente impedia a visibilidade em alguns trechos do parque, dificultando a circulação do público. A iluminação precária também comprometeu a experiência no palco Cemig, onde se apresentaram Melly e Boogarins. As opções de alimentação não deram conta da demanda. Houve relatos de mais de 40 minutos de espera por um hambúrguer, com filas grandes em diversos pontos.

A próxima edição do Festival Sensacional! já tem data marcada e deve acontecer em 8 de agosto de 2026. A única atração confirmada até agora é a cantora Pabllo Vittar.



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