“Rua”, segundo álbum da banda Música de Montagem, está disponível em todas as plataformas, e os primeiros shows de lançamento do trabalho acontecem em São Paulo, dias 15 e 16 de fevereiro, no Sesc Pompeia.
O primeiro álbum, “Música de Montagem”, lançado em 2018, teve como proposta “explorar, entre outras coisas, contrastes radicais de sonoridades dentro de cada música. O resultado era um som mais intrincado, arquitetado em camadas e mais experimental”, disse o músico Sergio Molina.
Formada em 2017, a banda tem como líder o paulistano Sergio Molina, 57 anos, compositor, arranjador e produtor, que canta e toca violão processado, instrumento que soa como guitarra e piano.
Além de Molina, a banda conta com os paulistas Xofan, 28, na voz e MPX (disparador de samples), Priscila Brigante, 45, na bateria e SPD (pads de percussão digital), e os paulistanos Vitor Ishida, 29, na guitarra e pedais, e Clara Bastos, 59, no contrabaixo.
Entre as músicas que compõem o novo trabalho estão “Psiu”, de Sergio Molina e Kleber Albuquerque; “Escuta”, de Sergio Molina, Marcelo Segreto, Juçara Marçal, Clara Bastos, Priscila Brigante, Gustavo Lenza e Rômulo Alexis; “Sentido”, de Sergio Molina e Lilian Jacoto; “Elegia”, de Sergio Molina e Lilian Jacoto; “Rua”, de Sergio Molina, Kleber Albuquerque e Marcelo Segreto; “Quem será que sou eu?”, de Sergio Molina e Kleber Albuquerque; e “O espelho”, de Sergio Molina e Marcelo Segreto.
O novo álbum conta com as participações especiais de Juçara Marçal e Marcelo Segreto.
Leia, a seguir, a entrevista exclusiva que Sergio Molina concedeu ao blog, na qual o artista discorre sobre o álbum “Rua”, entre outras valiosas informações sobre sua arte.
Você considera a banda Música de Montagem uma representante da música de vanguarda de São Paulo? Por quê?
Comparado com o primeiro álbum, esse novo repertório tem uma concepção muito mais pop, um pop que é sofisticado, com letras instigantes, com elementos experimentais e surpresas que muitas vezes podem ser associadas à vanguarda. Eu e Clara [contrabaixista da banda] sempre tivemos proximidade com a Vanguarda Paulista. Clara é uma Orquídea da banda de Itamar Assumpção e eu tenho um álbum de 2009 só de parcerias com ele. Mas com o tempo me parece que esse experimentalismo foi se reorganizando de uma maneira muito orgânica; temos músicas dançantes e refrãos que nos shows são cantados com entusiasmo pela plateia. Nosso som é certamente muito particular. Se há vanguarda, ela é uma pop vanguarda, curiosa e comunicativa.
Quais dificuldades você encontra em manter a banda? Como as supera?
As dificuldades não são específicas da banda, são as dificuldades do mercado da música atual no mundo, os modelos de remuneração e a falta de regulação das plataformas de streaming. Mas isso não impede de continuarmos sempre produzindo. Nessa nova fase, lançamos dois singles em 2023, o videoclipe de “Melancholia II”, minha e de Chico Cesar, em 2024, quando também gravamos e tocamos bastante em São Paulo, no Festival Internacional de Belém etc. E agora, em 2025, chegou o álbum “Rua”.
Qual é a atual situação da música popular brasileira e qual a importância da banda Música de Montagem para ela e sob que aspecto a banda mais se difere de outras bandas?
Diferentemente da cena pop internacional onde isso é mais comum, entendo que há um espaço mais ou menos vago no Brasil para um som que seja pop, que tenha camadas sonoras provocantes, uso de tecnologia, letras que dialoguem poeticamente com o momento social que vivemos e que, ao mesmo tempo seja, dançante, comunicativo e com uma presença de palco musicalmente forte. Oxalá haja espaço para ocuparmos esse espaço!
Qual o conceito do álbum “Rua”?
É um álbum gestado na pandemia quando passei a trabalhar inicialmente sozinho na programação das novas músicas dançantes, com bastante uso de samplers e tecnologia, fazendo as primeiras pré-produções. Paralelamente encomendei letras para parceiros, recompus músicas antigas e passei a compor baladas (lentas) no piano, atualizando para os anos 2020 as atmosferas das baladas de Paul McCartney e Arnaldo Baptista dos anos 1970, mas buscando novos caminhos harmônicos.
Comente três músicas do álbum.
“Psiu” abre com energia o álbum, com as duas guitarras dialogando em contraponto (eu e Vitor) e Xofan interpretando os versos do Kleber que cantam o silêncio: “Silêncio é som no futuro!”. Mais pro final surge um rap surpresa sobre um groove suingado de Clara e Priscila.
“Rua” questiona poeticamente nossa falta de engajamento como cidadãos diante das injustiças sociais e políticas. Explora delays, samplers, muitos efeitos e pedais. A música acaba de ser indicada para single do ano no Prêmio Profissionais da Música.
Em “Sentido” o piano é o protagonista. A melodia sinuosa é uma oportunidade para a expressividade comovente de Xofan na voz.
Comente as participações de Juçara Marçal e Marcelo Segreto.
Durante a pandemia fui convidado pelo Sesc SP para organizar um evento chamado Laboratório Música em Nuvem. A ideia era montar um time para compor uma canção ao vivo em cinco lives, desde as primeiras ideias até a mix final. Chamei Juçara para cantar e Marcelo Segreto para fazer a letra. O resultado foi a canção “Escuta”, que viria na sequência a ser o ponto de partida para esse novo álbum. Mais que um lugar de fala, aqui convidamos a todos a um lugar de escuta. Então Juçara veio agora gravar com a gente. Já o Marcelo Segreto passaria a ser meu parceiro mais frequente a partir daí. No álbum ele assina comigo três faixas.
Haverá CD físico ou LP em vinil do “Rua”, ou as pessoas poderão ouvir o álbum apenas nas plataformas de streaming?
Estamos aceitando convites dos selos para ao menos uma tiragem em vinil!
Por que escutar o álbum “Rua”?
Porque “Rua” é um álbum ao mesmo tempo particular, provocativo e comunicativo. A fórmula equilibra refrãos para cantar, estrofes para curtir, vontade de dançar, vontade de ouvir, poesias instigantes, tensões em espiral, expectativas, repousos, silêncios e aconchegos.

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