Opinião: Mostra de ‘Friends’ em Londres desaponta ao fazer fã pagar por fotos

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Opinião: Mostra de ‘Friends’ em Londres desaponta ao fazer fã pagar por fotos


Não levou mais que cinco minutos dentro da exposição de “Friends”, em Londres, para os visitantes ficarem com cara de poucos amigos. O sofá alaranjado estava ali, no centro de uma grande sala, de frente para a fonte de água, exatamente como na vinheta de abertura da série, pronto para as pessoas se sentarem e tirarem dezenas de fotos, com todo tipo de pose —só que não.

Quase ninguém ali parecia saber que teria de pagar uma quantia extra, fora o ingresso da mostra, se quisesse um registro fotográfico decente, num ângulo aberto, pegando todo o cenário por detrás do estofado que emula aquele em que Ross, Rachel, Monica, Phoebe, Joey e Chandler tanto conversam na série dos anos 1990. No máximo, as pessoas podiam tirar selfies apressadas.

O que deveria ter sido uma abertura épica se tornou embaraçosa. É caro entrar na “The Friends Experience”, afinal —só o ingresso, em Londres, custa no mínimo 20 libras, fora as taxas do site, o que dá cerca de R$ 160 na conversão atual. Para adquirir a foto no sofá, no fim da visita, impressa num imã de geladeira e num chaveiro, é preciso desembolsar mais 12 libras, ou seja, algo perto de R$ 90.

Uma versão dessa mostra estreia em São Paulo no mês que vem, erguida no shopping Cidade São Paulo com tíquetes a partir de R$ 79,80, no caso da entrada inteira. A produção do evento brasileiro diz que fotos com celulares serão permitidas aqui em alguns cenários, e que também haverá serviço profissional de fotografia com custo extra, sem especificar em quais pontos da exposição.

Em Londres a vista dura entre uma e duas horas, a depender do entusiasmo do visitante. No começo há uma sala de espera, onde os alto-falantes tocam aquelas risadas que ressoam no fundo dos episódios de “Friends”.

Os corredores que separam cada cenário são lotados de textos, imagens, retratos, quadros, figurinos e objetos sobre a série. Num aquário de vidro, há, por exemplo, cadernos com os roteiros originais de quatro capítulos, e a alguns metros dali ficam manequins vestidos com figurinos usados pelos atores principais nas gravações.

Isso tudo serve de aquecimento para o primeiro grande cenário da mostra, uma recriação do apartamento onde moram Joey e Chandler, construído nos mínimos detalhes. Estão ali as poltronas marrons, da sala, a cozinha, e a mesa de pebolim, exibidas tantas vezes ao longo das dez temporadas do seriado, que completou 30 anos este ano.

Na sala seguinte, os visitantes passeiam pelo apartamento de Monica e Rachel, também recriado de forma meticulosa. Há a cozinha, a janela por onde as personagens espiam um homem pelado que fica de fora do prédio, além da porta lilás com a moldurinha amarela, onde as pessoas fazem fila para tirar fotos.

A porta ressurge depois na mostra, perto do fim, numa versão maior e mais bem acabada, que abre e fecha, o que rende imagens iguais àquela em que as cabeças dos personagens aparecem espiando por detrás da madeira. Nessa, porém, só dá para tirar fotos pagas, com a câmera do evento.

Esta porta fica na área dedicada a imitar o restaurante Central Perk. Na parte interna é possível ver também uma versão mais tímida do sofá laranja, este sem restrições para fotos, e o cantinho onde Phoebe toca violão.

Do lado de fora, o restaurante funciona de verdade, com mesas e cadeiras como os vistos em cena, onde as pessoas podem parar para fazer um lanche. No cardápio havia cachorro quente, bolo de chocolate, croissant e cheesecake.

Ao redor, as pessoas observam outras réplicas da série, como o táxi de Phoebe e o sofá que Ross compra e tenta arrastar pela escada do prédio —este também um ponto de foto permitido apenas a quem paga.

“The Friends Experience” termina com uma lojinha, com souvenirs como garrafas, meias, camisetas e ursos de pelúcia, o tipo de peça que se encontra fácil em feiras de cultura pop ou em lojas de departamento do Brasil.

É um passeio indispensável para quem viu a série? Não. Espectadores vão se alegrar de ver de perto aquilo que viram e reviram à exaustão pela TV, é claro, mas a mostra termina como mais um passeio de fim de semana, sem conseguir emular aquele sentimento de camaradagem que marca a relação entre o sexteto de “Friends” e seus fãs.



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