Opinião – Maurício Stycer: Datafolha de ‘Vale Tudo’ mostra que a novela está de acordo com os dias atuais

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Opinião – Maurício Stycer: Datafolha de ‘Vale Tudo’ mostra que a novela está de acordo com os dias atuais



A um mês do final, “Vale Tudo” pode ser considerada uma novela de sucesso. Ao menos levando em consideração a opinião de quem a assistiu —um terço da população do país, segundo o Datafolha.

A pesquisa que acaba de ser divulgada mostra que, entre quem sintonizou na Globo nestes últimos seis meses, 65% acham a novela ótima ou boa, e 25%, regular. Apenas 8% dos espectadores a classificam como como ruim e péssima e 1% não opinou.

Entre os que assistiram à versão original, a aprovação da trama de Manuela Dias é ainda maior: 68% consideram o remake como ótimo ou bom e 22% como regular; a atual versão é considerada ruim ou péssima para 10% do público que viu a novela de Gilberto Braga.

A taxa de aprovação é mais alta entre espectadores de 16 a 24 anos (80% consideram a novela boa ou ótima) e moradores das regiões Nordeste e Sul estão entre os que mais gostam da novela.

Olhando para o copo meio vazio, o resultado expressa a nova realidade da Globo, cujas novelas não falam mais com todo o país ao mesmo tempo. Apenas 32% dos entrevistados assistiram ao folhetim.

Quando “Vale Tudo” foi exibida originalmente, em 1988, o percentual de espectadores era o dobro; na véspera do capítulo final, a trama registrou pico de 89 pontos. A média geral foi de 61 pontos. Hoje, a emissora festeja quando a atual versão registra média de 25 pontos em São Paulo (cada ponto agora equivale a 191.477 indivíduos).

Olhando para o copo meio cheio, o Datafolha mostra que “Vale Tudo” conseguiu dialogar com uma parcela significativa de espectadores. O percentual de aprovação à novela é mais ou menos o mesmo entre todas as classes sociais.

Então, por que ouvimos falar tão mal da trama nestes meses todos? Os números da pesquisa me levam a reafirmar que há dois grupos muito distintos de espectadores —o que faz mais barulho e se expressa por meio de algumas redes sociais e o que ironicamente é chamado de “tia do sofá”, cuja opinião é menos vocalizada.

A tia do sofá foi um termo criado no X, o antigo Twitter, por espectadores supostamente progressistas, considerados influenciadores, para designar espectadores aparentemente mais conservadores. Essa turma mais avançada odiou a nova “Vale Tudo”.

A rejeição barulhenta de uma minoria pode ser explicada por alguns motivos. Começou cinco meses antes da estreia, quando Manuela Dias, em entrevista à Folha, sugeriu que a sua versão da trama iria baixar o tom em relação a críticas ao país expressas pela novela original. “Poder falar mal era resistência, era revolucionário, era novo. Hoje não é mais. A gente está saturado disso. O novo é encontrar maneiras de transformação”, disse.

Quando a novela estreou, houve frustração com a simplificação de um personagem muito querido na trama original, o mordomo Eugênio, e com inúmeras alterações propostas pela autora no rumo de outros tipos icônicos. A autora baixou a temperatura política, reduziu a crítica social, humanizou Odete Roitman e deixou “Vale Tudo” mais leve e divertida.

É sintomático que 86% dos espectadores, segundo o Datafolha, desejam ver Odete punida, mas apenas 4% querem a morte da personagem —47% gostariam de vê-la pobre e 35% querem que ela seja presa. Em 1988, quando o Datafolha fez esta pergunta aos paulistanos, a morte da personagem foi desejada por 38% dos entrevistados, enquanto 20% queriam que ela fosse para a prisão e 14% que ficasse na miséria.

A pesquisa, enfim, confirma que foram duas novelas bem diferentes, de acordo com o tempo em que foram exibidas. Manuela Dias ousou não tratar “Vale Tudo” com um bem tombado pelo patrimônio histórico, agradou à Globo e deixou uma pequena parcela de espectadores furiosos. É isso que vai ser lembrado.


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