Opinião – Luciana Coelho: ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ acha doçura em meio à truculência

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Opinião – Luciana Coelho: ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ acha doçura em meio à truculência


A última coisa que se espera de “Game of Thrones” e suas adjacências, entre os que acompanharam a série original, é delicadeza. Pois a delicadeza, muito bem disfarçada entre cenas de combate e alguma escatologia, é o norte de “O Cavaleiro dos Sete Reinos”, série mais recente da rentável franquia inspirada na obra do escritor George R.R. Martin.

No ar pela HBO Max, mesma plataforma de “Game of Thrones” (2011-2019) e “A Casa do Dragão” (cuja terceira temporada deve ir ao ar ainda em 2026, após um hiato de dois anos), “O Cavaleiro dos Sete Reinos” é uma história de amizade e de um heroísmo diferente daquele dissecado nas produções anteriores.

Claro, as batalhas, o sangue e a violência extrema continuam lá, ainda que em doses menos sádicas. O registro aqui é sobretudo de comédia farsesca, o que a duração de 30 minutos (em contraposição dos 60 normalmente reservados aos dramas) já indica.

Mas, em vez de intrigas palacianas, disputas políticas e corrupção, o roteiro se volta para a construção da honra e da legitimação daqueles que não têm a sorte (ou, talvez no caso deste autor, o azar) de nascer com um brasão familiar. É o caso de Dunk, ou sir Duncan, o alto, um escudeiro que após a morte de seu senhor alega que este o fez cavaleiro.

Com a nova identidade, ele se vê repentinamente às voltas com seu próprio escudeiro, o menino Egg, cujo corpo franzino é inversamente proporcional a sua sagacidade e língua ferina. Entre os dois, se forja uma amizade tão sólida quanto delicada, que se desenrola entre as reviravoltas martinianas.

Nos papéis principais estão o ator irlandês Peter Claffey, um ex-jogador de rúgbi com 1,96 m e talento cômico, e Dexter Sol Ansell, que aos 11 anos já acumula 7 de experiência diante das câmeras.

A química entre a dupla de atores, costurada em diálogos sem espaço para pieguice, é suficiente para comover o espectador mais empedernido. Um dos melhores momentos ocorre quando Dunk tenta explicar o significado de uma canção de baixo calão entoada em um bar e o menino entende aquilo como uma mensagem de esperança e valor.

O conto quixotesco se passa cerca de 100 anos antes dos acontecimentos narrados em “Game of Thrones” (os Targaryen estão no poder, e outras famílias dão as caras), a partir de em um romance homônimo curto de Martin estrelado pela dupla —há mais dois publicados e a promessa do escritor de produzir outros mais.

A concisão do livro é respeitada na série, cuja primeira temporada tem apenas seis episódios, dos quais quatro já estão no ar. Uma segunda leva é esperada para o ano que vem, algo facilitado por um orçamento mais modesto que suas irmãs mais velhas.

Ira Parker, o showrunner, tem um pé no universo de Martin e outro na comédia de diálogos rápidos: foi coprodutor executivo de “Casa do Dragão” e também da ótima “Better Things” (obra prima da comediante Pamela Adlon que, entre outras coisas, revelou a atriz Mikey Madison).

Essa experiência não foi desperdiçada, e “O Cavaleiro dos Sete Reinos” nutre o misto de ternura e sarcasmo, embora em cores mais violentas, que remonta às sitcoms de amizade, família e aspereza da vida.

É uma trama enxuta, do tipo que conquista o espectador conforme os episódios avançam, familiar o suficiente para confortar.

São as surpresas no tom narrativo, porém, que garantem um sorriso de torcedor no final.

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