Opinião – Luciana Coelho: ‘Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente’ revê auge da Aids com história de esperança

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Opinião – Luciana Coelho: ‘Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente’ revê auge da Aids com história de esperança


Antes de ser uma minissérie sobre o avanço da epidemia de Aids no Brasil na virada para os anos 1990, “Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente” é uma obra sobre vontade de viver. É, também, um tanto sobre amor, coragem, solidariedade e muito sobre história —uma parte da história recente do país que parece ter sido esquecida, dado o aumento recente de infecções por HIV após anos de queda.

A produção, que estreia neste domingo na HBO Max, encorpa a boa fase do audiovisual nacional, que tem olhado com sensibilidade para temas não necessariamente palatáveis.

O trabalho dos diretores Carol Minêm e Marcelo Gomes (o mesmo do bonito “Cinema, Aspirinas e Urubus”), amparado no texto agridoce de Patricia Corso e Leonardo Moreira, segue essa régua, de modo que, entre a dor e o medo que marcam o enredo de forma incontornável, sobrevém esperança.

Soa romântico? Um pouco, mas cai bem nesses tempos de bombardeio de más notícias.

Por cinco episódios, acompanhamos Fernando (Johnny Massaro), um comissário de bordo que descobre ter Aids em 1989. Na boate gay que frequenta, em um Rio de Janeiro em ebulição, amigos e conhecidos estão morrendo. Nos corredores das aeronaves em que voa para Nova York, colegas lidam com parentes adoecidas. E no hospital onde é atendido, médicos enfrentam preconceito, desinformação e a falta de tratamento no país para o que era chamado de “câncer gay”.

É então que Fernando e Leia (Bruna Linzmeyer), sua melhor amiga e também comissária, começam a trazer dos Estados Unidos o AZT, o primeiro medicamento contra o vírus, que só seria regulamentado no país anos depois. Futuramente, o Brasil viraria referência global no tratamento da Aids com a distribuição de antirretrovirais, mas naquela primeira década a ignorância ainda multiplicava as vítimas do vírus.

Incentivados pela médica Joana (Hermila Guedes) eles começam a trazer a medicação, contrabandeada, para outros pacientes; depois, por ideia de Raul (Ícaro Silva), a carga salva-vidas se expande para frequentadores da boate Paradise sem meios de pagar o remédio.

Com a rápida disseminação da síndrome, e na falta de políticas públicas eficazes, as encomendas cresciam, o número de comissários dispostos a ajudar, também; mas a Receita Federal e a falta de regulamentação no país ainda eram um obstáculo a superar. Assim, o que começou como esquema clandestino virou ativismo, que levou à distribuição programada de remédio em aeroporto até que os primeiros coquetéis de tratamento se tornassem oficialmente disponíveis.

A história é real, baseada em um reportagem, e os roteiristas incluíram na minissérie alusões a personagens da época que se tornaram cruciais no combate ao preconceito ao expor a própria doença, como o cantor e compositor Cazuza (1958-1990) e a atriz Sandra Bréa (1952-2000).

Também incorporaram personagens que contraíram o vírus de outras formas, como a mulher que pega do marido, gente que adquire em transfusão de sangue (o caso de Bréa é um desses) ou ao usar drogas injetáveis.

A força de “Máscaras”, porém, não seria a mesma sem a atuação vigorosa de Johnny Massaro, que constrói um Fernando transbordando vida. Silva e Linzmeyer estão impecáveis, mas é Massaro quem arrebata o espectador.


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