Há dois tipos de pessoas: as que gostam de ficção científica e as que não toleram. “Diários de um Robô-Assassino”, série da Apple TV+ que chega ao fim nesta sexta (11) e adapta o primeiro livro de uma coleção de sete com o mesmo nome, é para ambos.
Não se engane com o tom despretensioso. Mirar tanto fãs hardcore de ficção científica como quem desdenha o gênero é uma ambição abissal, e dá para dizer que os irmãos roteiristas/diretores Paul e Chris Weitz (de “Um Grande Garoto”) se saem bem.
O protagonista é um robô (assassino, por óbvio) que teve a memória resetada e o corpo recriado após um problema grave em sua última missão, quando ele se auto-hackeou para deixar de seguir as ordens do comando central.
Murderbot, como passa a se denominar, tem algumas peculiaridades em relação a seus colegas de bits e engrenagens: é cínico, depressivo, intrigado com os sentimentos humanos e muito, muito fãs de séries de baixa qualidade, as quais baixou em seu sistema e passa horas assistindo.
Estamos em um tempo no qual humanos de diferentes planetas exploram galáxias atrás de recursos naturais, em um universo pós-capitalista dominado pela Corporação. Fora dela, alianças menores tentam manter um estilo de vida comunitário sem esbarrar nas regras do sistema.
Murderbot é alocado com uma trupe cientistas de uma dessas alianças (“cientistas hippies”, a seu ver), que teima em ignorar seus conselhos de segurança.
O trunfo da série é o protagonista, nas mãos do excelente Alexander Skarsgard (“Big Little Lies”). Martha Wells, autora dos livros publicados a partir de 2017, burilou a visão de mundo acética do anti-herói e decidiu narrar a história por seus pensamentos, sempre em choque com os humanos. A versão das telas preservou o registro, um acerto, e deu-lhe um ar montypythoniano.
Há no robô e em seu desconforto perene uma plausibilidade que de cara é identificável pelo espectador (quem nunca se sentiu a única pessoa sã na sala?).
Ainda assim, seu desdém pelos humanos vem junto com um afeto que o faz defendê-los. Para tanto, é preciso descobrir quem está invadindo os sistemas de outros robôs de segurança, como ele, e evitar que seus amigos descubram que ele tem livre-arbítrio.
As cenas de ação não ficam a dever para produções mais opulentas, e os arquétipos dos demais personagens fazem jus à cartilha sci-fi. Há também elementos bem-vindos que acenam à crônica cultural contemporânea e piadas com o próprio gênero.
Nesta quinta (10), a AppleTV+ renovou a série para mais uma temporada. É um ótimo começo.
A primeira temporada de “Diários de um Robô-Assassino”, dom dez episódios de 23 minutos, está disponível na Apple TV+, e os dois primeiros livros da série foram lançados no Brasil pela editora Aleph
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