Quando criou “Long Story Short”, Raphael Bob-Waksberg estava pensando em família, identidade e tempo. Às Acabou produzindo uma pequena joia em animação que, conforme explicou em entrevista à revista Variety, trata de luto e memória. Fez isso tudo com o humor seco e cínico que marcam suas outras obras —notadamente “BoJack Horseman”— mas também com uma ternura discreta que surpreende e comove o espectador.
No ar na Netflix, a série de dez episódios é uma animação, como tudo o que o roteirista cria, sobre uma família judia da Califórnia entre os anos 1980 e o presente. Poderia ser a história do autor, mas ele mesmo não gosta de dizer o quanto do enredo é autobiográfico, pois assim o público fica mais livre para imaginar o que quiser sobre o que vê. O nome, em português, significa algo como “resumo da história”.
E porque é uma família judia na Califórnia, e também porque o tipo de humor que Bob-Waksberg faz é um tanto idiossincrático, “Long Story Short” é, muitas vezes, peculiar.
E também porque é uma família, às voltas com traumas, doenças, questões financeiras, mudanças sociais, desavenças, tristezas e alegrias que atravessam todo o tipo de gente, as situações são muito reconhecíveis e comuns a qualquer espectador (lembre-se, o mote é de coisas das quais ninguém foge: o tempo, o lugar que ocupamos no mundo e a forma pela qual nos entendemos nele, e os laços que aqui mantemos).
Com episódios curtinhos e um elenco de nomes conhecidos, como ele tende a atrair, a série foi montada como uma espécie de álbum de fotografias aleatório, com saltos temporais entre as diferentes etapas da vida dos Schwoopers: o pai, Elliot (Paul Reiser, de “Mad About You”), professor universitário; a mãe, Naomi (Lisa Edelstein), que faz jus ao estereótipo; os filhos Avi (Ben Feldman), Shira (Abbi Jacobson, de “Broad City”) e Yoshi (Max Greenfield), além de Jen (Angelique Cabral) e Kendra (Nicole Bayer), mulheres, respectivamente, de Avi e Shira.
Não há ordem cronológica, embora dentro de cada episódio o roteiro seja linear, porque é assim que puxamos memórias, conectadas muito mais por sentimentos e a importância que um dado acontecimento adquire para cada membro da família, ou de um círculo de amigos, do que por uma lógica mensurável.
Isso dá à série um caráter sentimental (jamais sentimentaloide), logo equilibrado pelo sarcasmo e o humor autodepreciativo que, mais do que qualquer outro grupo, os comediantes judeus aprimoraram à perfeição.
Nessa coleção de lembranças há coisas banais, como um dia na praia e dissabores profissionais, e aquelas extraordinárias, como bar-mitzvás e funerais. Bob-Waksberg diz ter desenvolvido a série após ter se tornado pai e depois de ter atravessado a pandemia de Covid, o que mudou sua forma de pensar sobre a perda de alguém e como a história de vida de uma pessoa pode ser recontada de diferentes formas.
O resultado é agridoce e, por isso mesmo, bonito e crível, além de menos filosófico que seu trabalho anterior, “Undone”, do Prime Video —“Tuca e Bertie”, outra produção que ele escreveu, está na mesma plataforma.
A série, aliás, é uma das primeiras a se debruçar com atenção sobre a forma como vivemos a pandemia, e as marcas que esse período deixou em cada um, individual ou socialmente.
O roteiro foge, no entanto, de outro tema espinhoso, a guerra de Israel em Gaza após os atentados terroristas do Hamas em outubro de 2023 (segundo o autor, o assunto acabaria por capturar toda a atenção, colocando por terra a ideia de falar de laços e tempo).
No final, a sensação é que “Long Story Short” passa rápido demais. E não é justamente isso que Bob-Waksberg quer nos dizer?
Os dez episódios da primeira temporada de “Long Story Short” estão dispomíveis na Netflix
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