Opinião – Gustavo Alonso: Maduro frouxo, Forças Armadas entreguistas

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Opinião – Gustavo Alonso: Maduro frouxo, Forças Armadas entreguistas


Passada uma semana do sequestro do ditador da Venezuela Nicolás Maduro por tropas americanas de Donald Trump, pouco temos de informações concretas sobre o que se passou efetivamente no país vizinho.

A vice de Maduro, Delcy Rodríguez, foi uma colaboracionista do golpe? Até que ponto o colaboracionismo foi fundamental para a derrubada de Maduro? Diante de tamanho fracasso, qual era o real potencial do exército bolivariano tão bravejado? Qual o papel da incompetência dos militares venezuelanos numa derrota tão medonha? São pegrunas que ainda estão por serem respondidas.

O que sabemos até agora é que: 1) Nicolás Maduro foi um covarde; 2) Tropas militares latino-americanas são úteis para oprimir o próprio povo, quase nunca para defender a nação.

Que fique claro: Maduro era o líder de uma ditadura militar que estava no poder desde que o presidente Hugo Chávez elegeu-se em 1999 e aos poucos foi minando a fragilíssima democracia venezuelana. Há mais de um quarto de século convivemos com o discurso bolivariano de goela de que os EUA e o capitalismo são os demônios encarnados.

Em famosa fala proferida em 20 de setembro de 2006 na 61ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, Hugo Chávez disse: “O diabo esteve aqui ontem. Ainda cheira a enxofre nesta tribuna onde agora me encontro”, fazendo referência à presença do então presidente americano George W. Bush no dia anterior.

Chávez e Maduro esmeraram-se por anos em diabolizar a política, interna e externa. Bradaram como machões latino-americanos uma luta santa contra o imperialismo externo. Os inimigos internos prenderam, exilaram e torturaram. Eis que quando o imperialismo bateu à porta efetivamente, o que fez Maduro? Se entregou.

Alguns falarão: seus seguranças cubanos foram mortos e a ousada empreitada americana o surpreendeu. OK, tudo isso conta. Mas como Maduro não tinha uma arma em punho para viver ou morrer pela pátria bolivariana?

Não se pode dizer que o ditador venezuelano tenha sido surpreendido. Houve tempo, senão para montar uma resistência eficaz, ao menos para bolar um plano para que sua biografia não fosse pelo ralo. Nesse sentido, Maduro e Bolsonaro mais uma vez se parecem. Ambos são líderes frouxos adoradores de ditaduras militares que na hora H acovardam-se do embate decisivo, imobilizados pelo pavor do momento histórico.

A fraqueza de Bolsonaro diante da tentativa golpista, depois de bradar por anos que seu sonho era derrubar a democracia, levou-o ao limbo mesmo entre seus apoiadores. Não houve manifestação de massa pedindo a liberdade do covarde Bolsonaro.

Com Maduro o mesmo tende a acontecer. Sua liderança medrosa coloca-o entre os principais fujões da história latino-americana. Alguns poderão argumentar que não havia saída para Maduro. Era a entrega ou a morte. Ora, o ônus de ser um líder é esse: quando chegar a hora H que você tanto clamou, que sua última estratégia seja a autoimolação. Getulio Vargas e Salvador Allende, com causas diferentes, não fugiram da raia.

A covardia de Maduro ilustra uma questão mais complexa: nossos exércitos latino-americanos não servem para defesa externa. Nossos militares adoram uma guerra vencida, contra o próprio povo, claro. Contra invasores estrangeiros, colocam o rabo entre as pernas e estão sempre aptos a negociar.

Isto tudo abre outra questão. Convém aos povos latino-americanos ainda terem exércitos? Na invasão de Trump à Venezuela viu-se tamanho descompasso tecnológico entre os dois exércitos que nos perguntamos se vale o custo de manter financeiramente forças armadas covardes que no fim das contas serão usadas apenas contra nós mesmos.

Será que não é hora de levarmos à sério o exemplo da Costa Rica? Desde 1948 a Costa Rica não tem exército. Estaríamos todos reféns do imperialismo sem os exércitos nacionais? Sim, mas com eles tampouco temos grandes chances. E sem exércitos estaríamos livres de uma força interna que ao longo da história latino-americana contribuiu para golpes e lutou contra a democracia.

Sem forças armadas, caberia aos países realmente pacifistas o soft power da paz. Qual país seria capaz de invadir quem abertamente não oferecerá resistência? Esse é um teste civilizatório para quem se diz civilizado.

Desculpem-me o trocadilho infame (sou fã deles): nossas forças armadas estão “maduras” para serem dispensadas.


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