Desde 1974, o final de ano no Brasil é a época do especial de Roberto Carlos na TV Globo. Todos os anos Roberto convida artistas, endossando-os sob as bênçãos reais. Mas quem ficou de fora e nunca foi convidado?
Em recente lista publicada no Estadão, o pesquisador musical Ramon Duccini elencou de forma didática todos os convidados de Roberto ao longo desses 40 anos. O pesquisador chegou a algumas conclusões interessantes.
Roberto cantou com artistas, figuras do showbiz, atrizes e até jogadores de futebol. Rivelino e Pelé, de um lado, Paulo Gracindo, Dira Paes e os tradicionais Silvio Caldas, Dorival Caymmi, Orlando Silva e Linda Batista de outro. Cantou com novatos como MC Leozinho e Jão, e estrangeiros como o mexicano Armando Manzanero.
Os sertanejos foram contemplados a partir de 1986, quando Chitãozinho & Xororó e Chrystian & Ralf foram os pioneiros do gênero no programa. Depois deles estiveram presentes vários outros, como Leandro & Leonardo (1990), Zezé Di Camargo & Luciano (1991), Almir Sater, Sérgio Reis e Roberta Miranda (1996), Daniel (2009), Paula Fernandes (2010), Michel Teló (2012), Luan Santana (2014) e Maiara & Maraísa (2022).
Neste ano, Chitãozinho & Xororó completaram cinco participações, empatados com Zeca Pagodinho, recorde para artistas que não são oriundos da Jovem Guarda. Mas o que chamou atenção na lista foram as ausências.
Cantoras do quilate de Elis Regina, Maysa e Nara Leão nunca tiveram a honra de cantor no especial do rei. As ausências de Ney Matogrosso, Paulinho da Viola e Renato Teixeira também são notórias.
É sabido que Roberto Carlos escolhe suas participações baseado na relevância histórica e, especialmente, na repercussão popular de sucessos do momento. Foi assim que ele cantou com Caetano Veloso e Anitta em anos diferentes.
Por tudo isso, espanta algumas ausências não notadas pelo pesquisador. O caso de Luiz Gonzaga é um dos mais chamativos. Morto em 1989, Roberto teve 15 anos para chamar Gonzagão em seu programa, mas não o fez.
Roberto sempre demonstrou pouca intimidade com o forró. O único artista do gênero que frequentou seu especial de fim de ano foi Dominguinhos, em 1998, quando gravaram “Baile da Fazenda”, xotezinho pé-duro composto pelo rei e Erasmo.
São ausentes dos especiais de Roberto artistas gigantes como Alceu Valença, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Trio Nordestino, Marinês e vários outros associados ao rótulo de artista nordestino.
Mas a grande birra de Roberto Carlos parece mesmo ser com a música brega. Talvez como defesa própria, que várias vezes foi acusado de ser cafona durante a carreira, Roberto nunca convidou um artista brega a seu programa.
Agnaldo Timóteo, Waldick Soriano, Claudia Barroso, Nelson Ned, José Augusto e tantos outros nunca foram contemplados. Mesmo que alguns deles, como Odair José e Reginaldo Rossi, sejam seus herdeiros musicais diretos.
Seria bom ver um especial de fim ano de Roberto contemplando essas ausências históricas. Pena que nomes como Reginaldo Rossi e Agnaldo Timóteo não estão mais entre nós. Mas Odair José está aí, firme e forte. Quem sabe ano que vem, se o rei cessar sua autocensura inconsciente e aceitar a música brega como filha da Jovem Guarda e de sua trajetória de cantor romântico. Ainda há tempo.
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