Apesar de desgastado, o adjetivo de histórico faz jus ao dia de ontem. Foi a primeira vez que vimos militares e seus apoiadores sendo responsabilizados por atentar contra a democracia.
Ainda assim, apesar do ineditismo, vivemos um “dia da marmota” na política brasileira. O termo faz referência ao filme “Feitiço do Tempo”, de 1993, no qual um arrogante meteorologista interpretado por Bill Murray fica preso numa espécie de túnel do tempo, condenado a reviver o mesmo dia numa medíocre cidade do interior em sua data festiva mais importante, o tal “dia da marmota”. Nosso dia da marmota é a prisão de um ex-presidente.
Desde que a República foi proclamada em 1889, nove presidentes que passaram algum tempo no xilindró: Hermes da Fonseca (1922), Washington Luis (1930), Arthur Bernardes (1932), Café Filho (1955), Juscelino Kubitschek (1967), Jânio Quadros (1968), Lula (2018), Michel Temer (2019), Fernando Collor (2025).
Somos bons em prender presidentes. Mais difícil é fazer a pena durar. Todos eles ficaram pouquíssimo tempo de fato presos.
Toda vez que prendemos um mandatário da nação surge a dúvida de onde instalá-lo. Uma figura de tamanha significância, que mobiliza nossos instintos políticos mais primitivos, não pode cumprir pena em qualquer lugar.
Para Bolsonaro, há quatro opções sobre a mesa. A primeira delas seria mantê-lo em prisão domiciliar visto que, assim como Collor, o ex-presidente fascista tem problemas de saúde graves. Pesa contra essa medida o fato de que esses males, oriundos da facada, não o impediram de conspirar com uma potência estrangeira contra a própria nação. Outra opção seria conduzi-lo a uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal, assim como aconteceu com Lula. A possibilidade mais temida por Bolsonaro seria colocá-lo na penitenciária estadual da Papuda, em Brasília. Uma quarta opção, a mais improvável, seria fazê-lo cumprir a pena no Comando Militar do Planalto. Seria como colocar Lula preso no acampamento do MST. Não dá, né!
A decisão sobre o cumprimento da pena caberá ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, relator da ação penal, que trata a questão em sigilo. Ser presidente é muito arriscado. Outras profissões, como bicheiro, traficante e gigolô têm proporcionalmente menos chance de parar na cadeia. Diante de tão periculosa profissão, é bom definirmos um lugar para prender o próximo mandatário da nação. Acho que o presídio de Tremembé seria uma opção condizente.
O presídio de Tremembé é conhecido nacionalmente por já ter abrigado presos ilustres como Elize Matsunaga, Suzane Von Richthofen, irmãos Cravinhos, o ex-senador Luiz Estevão, Alexandre Nardoni, Thiago Brennand, Ana Carolina Jatobá, Gil Rugai, Roger Abdelmassih, Edinho e Robinho.
O presídio também tem sua cota de prisioneiros desconhecidos, mas que cometeram crimes hediondos ou socialmente muito impactantes, especialmente aqueles que acontecem dentro de uma mesma família. Estão presos em Tremembé aqueles que cometeram crimes de omissão de socorro, canibalismo, envenenamento, esquartejamento, estupro de crianças, infanticídio, parricídio, pedofilia. A repulsa moral destes crimes coloca em risco o presidiário e o Estado se vê na necessidade de proteger sua integridade.
E há também aqueles que, independente do crime cometido, correriam riscos numa prisão normal por serem odiados pelos presos comuns. É o caso de advogados, jornalistas, oficiais de justiça, policiais, juízes, promotores e servidores públicos de alto escalão.
Por tudo isso, Tremembé é conhecido como o “presídio das estrelas” que cometeram crimes hediondos, um lugar onde “a elite do crime” está presa.
É o lugar perfeito para Bolsonaro.
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