Opinião – Gustavo Alonso: A vingança dos sertanejos

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Opinião – Gustavo Alonso: A vingança dos sertanejos


Estreia neste dia 15 o programa “Viver sertanejo” nas manhãs da Globo, atração que será apresentada após o tradicional “Globo Rural”, com o qual compartilha a temática afim. “Viver Sertanejo” representa a vitória da música sertaneja na emissora carioca.

O programa “Viver Sertanejo” será capitaneado pelo cantor Daniel e sua fazenda em Brotas, no interior de São Paulo, serviu de cenário para as gravações. Confortável em seu próprio lar, Daniel recebeu nomes da música sertaneja como Chitãozinho & Xororó, Maiara & Maraísa, Rionegro & Solimões, Lauana Prado, Ana Castela, Sérgio Reis e Paula Fernandes, entre outros.

Com fama de bom moço e boa praça, Daniel é o símbolo da união da música sertaneja. Ano passado ele gravou o DVD “Daniel 40 Anos: Celebra João Paulo & Daniel“, no qual recebeu 40 duplas famosas no palco, comemorando não apenas sua carreira, mas a força nacional do seu gênero musical.

É a primeira vez que sertanejos ocupam a faixa musical do domingo, horário que tradicionalmente foi ocupado pelo “Som Brasil”, programa que marcou época no anos 80 e cuja diretriz criativa preferia os caipiras em detrimento dos sertanejos.

“Som Brasil” foi uma criação do apresentador, cantor, compositor e ator Rolando Boldrin em parceria com o diretor musical José Amâncio. Estreou em 9 de agosto de 1981 e foi ao ar todos os domingos da TV Globo até março de 1989 fazendo a união da cultura caipira com a MPB.

Artistas tradicionalistas como Ranchinho, Almir Sater e Pena Branco & Xavantinho cantavam no programa, que também recebia Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Chico Buarque, Gilberto Gil, Sivuca, Jair Rodrigues, Elba Ramalho, Nara Leão, Fafá de Belém, Toquinho, entre outros.

Desde a estreia o programa foi um sucesso de público e crítica. Em setembro de 1982, ao completar um ano de existência, o “Som Brasil” passou a ocupar duas horas na programação matinal dos domingos globais. Segundo o Ibope, o programa de Boldrin conseguia 10% a mais de audiência do que o normal para aquele horário dos domingos.

Com o bordão “vamos tirar o Brasil da gaveta”, Boldrin valorizava os tradicionalistas. Para ele valia mais os cultuadores de gêneros rurais tradicionais como o cateretê, o pagode de viola e a catira do que os modernizantes sertanejos. Assim, Milionário & José Rico, Trio Parada Dura, Matogrosso & Mathias, Leo Canhoto & Robertinho, João Mineiro & Marciano ou Chitãozinho & Xororó eram explicitamente barrados no programa por Boldrin.

Boldrin gostava de se ver como um batalhador cultural, resistente ao que chamava “comercialismo” e ao “estrangeirismo” da cultura brasileira. E afirmava em alto e bom som: “No meu programa, não trato com música sertaneja de alto consumo. E sou da opinião de que esses temas rurais não podem ficar apenas como moda passageira”.

Empolgado com o sucesso, Boldrin tentou emplacar o programa em horário nobre semanal na Globo. Derrotado, acabou sendo substituído pelo ator Lima Duarte como apresentador do “Som Brasil”, entre 1984 a 1989.

Por tudo isso é sintomático que o programa de Daniel ocupe o mesmo horário dominical de Rolando Boldrin, morto em 2022. O viver sertanejo se implantou de vez no som do Brasil, suplantando as históricas manhãs caipiras da TV Globo.


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