Não dá para dizer que Lady Gaga esteve fora dos holofotes desde o lançamento de seu último disco solo de canções originais —“Chromatica”, de 2020. Desde então, ela gravou mais um álbum com Tony Bennett, teve uma faixa na trilha do novo “Top Gun” e investiu na carreira de atriz, estrelando “Casa Gucci” e “Coringa: Delírio a Dois” —este lhe rendeu até um disco de covers de jazz, “Harlequin”, no mês passado.
Mas nenhum desses trabalhos contemplou o que a legião dos fãs de Lady Gaga esperam —um álbum que teste os limites da música pop, como ela fez com tanta maestria no começo de sua carreira com “The Fame” e “Born this Way”. Por isso o chamado “comeback” da cantora, com o single “Disease”, tem chamado atenção nesta sexta-feira (25).
Com uma letra que envolve as ideias de doença e cura num trocadilho com atração sexual, a faixa lançada próxima ao Halloween mostra uma Lady Gaga que ganhou o apelido de “mother monster”, ou mãe monstro, por sua facilidade de intercalar drama e terror com um pop polido e superproduzido.
No fim dos anos 2000 e no começo da década de 2010, quando este tipo de pop americano brilhava, Lady Gaga era uma das figuras mais importantes —talvez a mais importante. Com seus óculos enormes, maiôs brilhantes e perucas e maquiagens que a davam uma aparência quase alienígena, Gaga chocou toda a estética das cantoras de sua época.
Ver seus clipes de 15 anos atrás hoje é uma experiência curiosa: Gaga influenciou tanto a cultura que o exagero e a extravagância de seus primeiros trabalhos parecem completamente usuais, mesmo que, por volta de 2009, desafiassem totalmente a norma. Se hoje há um “hyperpop” e cantoras como Charli XCX e FKA Twigs se apoiam no maximalismo estético, muito se deve aos primeiros lançamentos da cantora.
Mas, enquanto o mundo se apressava para a acompanhar, Lady Gaga diminuía o ritmo de sua inovação no mundo pop para ir atrás de outras ambições. Em 2014, ela gravou o primeiro álbum com o cantor de jazz Tony Bennett. Pelo restante dos anos 2010, seguiu surpreendendo: em 2016, se virou para o pop rock e o country no álbum “Joanne”, em que colaborou com Kevin Parker, do Tame Impala, e Mark Ronson. Em 2018, ela estrelou no remake do filme “Nasce Uma Estrela”.
Seu álbum de 2020, “Chromatica”, foi de certa forma um retorno à forma para Lady Gaga, com um pop dançante, contagiado por grooves do house e da dance music, além de colaborações como Ariana Grande e Blackpink.
Mas o potencial do álbum, que ainda contou com o disco de remixes “Dawn of Chromatica” em 2021, foi suprimido pelo isolamento social da pandemia. Como resultado, a cantora não chegou perto de emplacar um hit como “Bad Romance” ou “Judas”.
Desde então, os lançamentos musicais de Lady Gaga tem sido fora do escopo de seu pop maximalista. Do single “Die With a Smile”, com Bruno Mars, à trilha sonora de “Coringa”, a cantora vem colocando seu vozeirão em faixas mais suaves de jazz e soul.
O próprio álbum “Harlequin”, que a cantora declarou ser uma espécie de exercício de seu personagem Arlequina, mostra uma faceta divertida de Gaga em sua persona de estrela de Hollywood. Composto em sua maioria de covers de famosas canções de musicais, o disco exibe a cantora se aproveitando de sua eficiência vocal para dar um show de carisma nas faixas, já amadas pelo público geral.
“Disease”, por sua vez, já aponta para outro lado e pode significar que a “mother monster” está pronta para voltar às suas origens. Talvez ela nunca as tenha abandonado, e a beleza de sua carreira seja justamente a contradição em ser uma estrela pop esquisita e uma estrela de cinema que grava discos de jazz. De qualquer forma, a faixa é o começo de uma nova fase excitante para quem se encantou pela artista.





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