O Recanto do Cordel e da Educação Popular, em Caixa D’Água, Olinda, foi criado para receber escolas, artistas, turistas e moradores de periferias
Publicado em 16/12/2024 às 15:34
| Atualizado em 16/12/2024 às 15:36
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A poesia popular entrou na vida de Caio César Farias ainda na adolescência. No entanto, foi após escrever um poema de cordel chamada “Tudo Passa”, em plena pandemia de 2020, que ele viu neste tipo de escrita um instrumento de reconstrução.
Com estudos e muita pesquisa sobre a literatura de cordel, o arte-educador, formado em Administração, encontrou inspiração para realizar um grande sonho: construir o primeiro Recanto do Cordel e da Educação Popular do Brasil. O espaço abrirá oficialmente suas portas nos dias 21 e 22 de dezembro, a partir das 8h30.
Localizado na comunidade de Caixa D’Água, em Olinda, o Recanto do Cordel e da Educação Popular foi planejado para receber instituições de ensino, artistas, turistas e moradores de periferias da Região Metropolitana do Recife.
“É muito importante deixar claro que este é um espaço situado em uma periferia, numa comunidade. Estamos quebrando muitos preconceitos sociais e urbanísticos, trazendo a cultura e a educação popular para o lugar de onde ela é, de fato, essência, descentralizando essas práticas. Geralmente, quem vai turistar e conhecer cultura popular visita os centros urbanos de classe média alta”, destacou Caio do Cordel, como é conhecido.
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Cordel nas Escolas
Antes de materializar o Recanto do Cordel e da Educação em um espaço físico, o poeta e educador iniciou, há três anos, o projeto Cordel na Minha Escola. Por meio dele, são realizadas oficinas de vivência, produção literária e musicalidade em cordel. A iniciativa já alcançou 50 escolas no estado, incluindo duas localizadas no interior, beneficiando cerca de sete mil alunos com as atividades desenvolvidas.
“Antes de aplicar o projeto, fiz uma pesquisa de campo em 25 escolas, tanto públicas quanto privadas, e constatei que cerca de 30% delas já trabalhavam com algo relacionado ao cordel, mas não desenvolviam atividades que explorassem suas propriedades”, explicou o arte-educador.
“Foi então que passei a apresentar o Cordel na Minha Escola como uma ferramenta de construção pedagógica inovadora, ou seja, ensinar a fazer o cordel, musicalizá-lo e vinculá-lo de forma interdisciplinar”, completou Caio César.
Com essa prática, os estudantes começaram a perceber que o cordel poderia ser aplicado em disciplinas como História, Matemática, Filosofia e Sociologia, entre outras. Em maio deste ano, o projeto integrou uma feira de conhecimentos em uma escola particular no bairro de Casa Amarela. Os alunos escreveram cordéis, declamaram e cantaram músicas inspiradas nessa literatura.
“A participação dos alunos explorou as semelhanças entre o rap e o cordel, compreendendo seu contexto, raízes e desdobramentos. Trabalhamos desde a batalha de rimas e a métrica até atividades em sala para exercitar a produção de cordel. Cada turma ficou responsável por criar um texto, com cada aluno desenvolvendo seis estrofes. Estimulamos batalhas de rimas com temas específicos e regras que proibiam insultos ao adversário. Os alunos mais engajados conseguiram criar cordéis autorais em poucos minutos”, explicou Jennifer Porfírio, coordenadora da escola Shalom Centro Educacional.
Projetos em desenvolvimento
Foi graças ao projeto Cordel na Minha Escola e à repercussão positiva entre crianças, adolescentes, professores e demais membros da comunidade escolar que Caio do Cordel começou a idealizar e construir um espaço dedicado ao empreendedorismo e à educação popular.
Atualmente, três projetos estão em desenvolvimento no Recanto do Cordel:
Cursos para crianças e jovens com TEA – O espaço ofertará formação em cordel, xilogravura e musicalidade, adaptados às necessidades de crianças e jovens com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Alfabetização para EJA – Será oferecido um curso voltado à Educação de Jovens e Adultos (EJA), especialmente para moradores de periferias da Região Metropolitana do Recife.
Pré-Enem Social – O projeto contará com professores voluntários e será direcionado a estudantes do ensino médio de escolas públicas e privadas situadas em áreas periféricas. Olinda será o foco inicial, já que a sede do Recanto está localizada no município.
O espaço também promoverá sarais poéticos, batalhas de rimas e apresentações artísticas e musicais. Sob uma perspectiva econômica, Caio planeja organizar feiras de empreendedorismo nordestino em parceria com agentes locais, fomentando a economia da região e de suas adjacências. Além disso, o Recanto está aberto a parcerias que contribuam para a viabilização desses projetos e iniciativas.
“Nós estamos buscando educar através da cultura popular, e isso significa romper com muitos tabus. Geralmente, as poesias mais valorizadas no mundo acadêmico são as eruditas, enquanto temos aqui o Recife como a capital do cordel. Quando consigo maturar essa ideia e fazer com que as pessoas vivam a poesia e a cultura popular através do cordel, promovendo esse resgate, isso me traz uma felicidade imensa”, declarou Caio do Cordel.

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