Filmes em Super-8 estão sendo restaurados e digitalizados em 2K pela organização Cinelimite e devem chegar a mostras e plataformas de streaming
Emannuel Bento
Publicado em 04/11/2025 às 19:49
| Atualizado em 04/11/2025 às 19:55
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O cinema feito em Super-8, que marcou uma das fases mais criativas da sétima arte em Pernambuco, carrega um caráter tão improvisado, artesanal e experimental que parece paradoxal imaginar que, hoje, essas películas necessitem de tecnologias avançadas de digitalização para continuarem entre nós.
Jomard Muniz de Britto, um dos nomes centrais dessa linguagem no Brasil, está tendo cerca de 30 títulos de sua obra restaurados e digitalizados em 2K — uma excelente resolução para um formato de bitola pequena como o Super-8.
O trabalho vem sendo realizado pela Cinelimite, organização sem fins lucrativos com sedes no Brasil e em Nova York, dedicada à restauração de acervos audiovisuais. Entre os cineastas já contemplados estão Katia Mesel e Amin Stepple.
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“Era quase um projeto dos sonhos para nós”, afirma William Plotnick, cofundador e presidente da Cinelimite, ao JC, sobre a obra do tropicalista que também é poeta, filósofo, ensaísta e um célebre agitador cultural.
“Nosso objetivo é resgatar tanto os filmes quanto as obras em vídeo de Jomard, um conjunto que ultrapassa 50 títulos. Infelizmente, alguns desses materiais ainda não foram localizados, e seguimos na esperança de que sejam encontrados”, diz Plotnick.
Após a conclusão da pós-produção, a ideia é levar esses filmes a mostras em 2026, com chegada ao streaming possivelmente em 2027.
Primeiras exibições no Janela



Já neste mês de novembro, cinco curtas-metragens digitalizados foram exibidos pela primeira vez durante o Janela Internacional de Cinema do Recife, em sessão o Cinema São Luiz.
Todos foram filmados em Super-8 na década de 1970: “Jogos Labiais Libidinais” (1979), “Inventário de um Feudalismo Cultural” (1978), “Alto Nível Baixo” (1977), “Discurso Classe Média” (1977) e o célebre “O Palhaço Degolado” (1976), que traz críticas aos pensamentos freyrianos e armorialistas.
O próprio Jomard marcou presença, acompanhado de familiares. Assistir aos filmes com a nova qualidade permitiu perceber o distanciamento temporal e, ao mesmo tempo, a permanência de uma transgressão que precisa ser constantemente buscada para não cairmos em moralismos e conformismos.
O processo de restauração

O Palhaço Degolado, de Jomard Muniz de Britto – REPRODUÇÃO
O projeto começou no início deste ano e atualmente está por volta da metade de todo o fluxo de trabalho necessário para levar “um filme da lata para a tela”.
O desejo de trabalhar com o acervo de Jomard sempre existiu na Cinelimite, ainda quando digitalizava obras de Amin Stepple e Kátia Mesel. Naquele momento, porém, ainda era difícil identificar onde os originais estavam guardados. A situação mudou com a colaboração de Paulo Cunha, professor aposentado da UFPE, onde lecionou cinema.
“Ele merece enorme reconhecimento por sua atuação neste projeto e por ter estabelecido a ponte entre nós e a família de Jomard. Finalmente conseguimos iniciar as conversas para desenvolver o projeto”, afirma Plotnick.
Pós-produção e preservação
Além da digitalização em 2K, o processo envolve o uso de plataformas como o DaVinci Resolve, aplicativo de correção de cores e edição de vídeo.
“Em termos metodológicos, seguimos o mais rigorosamente possível as melhores práticas arquivísticas no manuseio dos materiais, na digitalização e na pós-produção, sempre priorizando a ética da preservação e a fidelidade às obras originais”, explica o presidente da Cinelimite.

Sessão de curtas digitalizados de Jomard Muniz de Britto, no Janela Internacional de Cinema do Recife, no Cinema São Luiz – VICTOR JUCÁ/DIVULGAÇÃO
Plotnick comenta que, “milagrosamente”, nenhum filme apresentou desafios técnicos específicos devido ao estado do material original. “É realmente notável”, enfatiza.
“Quase todos os filmes de Jomard sofreram um desbotamento significativo de cor ao longo do tempo, mas nada além do que pode ser recuperado de forma significativa na pós-produção. Considerando o quanto obras em Super-8 podem facilmente deteriorar-se ou desaparecer, o fato de esses filmes terem sobrevivido em condição tão boa e recuperável é extraordinário.”
Mostras e circulação das obras
Após a pós-produção, terão início os planos de distribuição. A intenção é firmar parceria com uma instituição pernambucana para captar recursos e realizar uma mostra dedicada à obra de Jomard. A prioridade será exibir seus filmes na tela grande, tanto no Brasil quanto no exterior.
“O acesso é a essência da digitalização – sem circulação, o esforço perde o sentido”, reforça William.
O streaming deve acontecer em uma fase posterior, mais realisticamente a partir de 2027, já que 2026 será dedicado principalmente às exibições em salas de cinema. Atualmente, parte da obra do artista pode ser conferida no site da Cinemateca Pernambucana.
Redescoberta e pesquisa

Moacir dos Anjos discursa em sessão de curtas digitalizados de Jomard Muniz de Britto, no Janela Internacional de Cinema do Recife – VICTOR JUCÁ/DIVULGAÇÃO
O projeto também busca incentivar a pesquisa sobre a filmografia e o impacto cultural de Jomard, estimulando colaborações com pesquisadores, estudantes e instituições.
“Esta é uma parte essencial do projeto. Muitas das obras que digitalizamos não estavam facilmente acessíveis há décadas, então ainda há muito a ser redescoberto. Jomard é um dos grandes artistas brasileiros do século XX, e uma pesquisa mais aprofundada sobre sua produção é urgente e necessária”, diz Plotnick.
O curador e pesquisador Moacir dos Anjos, da Fundação Joaquim Nabuco, esteve na exibição do Janela de Cinema e revelou, em primeira mão, que “Babalorixá Mário Miranda, Maria Aparecida no Carnaval” (1974) será parte da nova exposição de longa duração do Museu do Homem do Nordeste, na Zona Norte do Recife.

‘Babalorixá Mário Miranda, Maria Aparecida no Carnaval’, de Jomard Muniz de Britto – REPRODUÇÃO
“Além de cineasta, Jomard tem sido, ao longo de mais de seis décadas, poeta, filósofo, ensaísta e um provocador em tempo quase integral. Mas Jomard sempre foi, antes de tudo, um educador. Um educador que nos oferece, em filmes, poemas, ensaios, falas e atentados poéticos, uma pedagogia do desaprender as normas e as regras que limitam e condicionam os modos de estarmos aqui, no mundo”, conclui William Plotnick.
Revistos em alta definição, os filmes de Jomard Muniz de Brito voltam a provocar, lembrando que preservar é também reinventar o olhar sobre o que fomos, e sobre o que ainda podemos ser.
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