Obra de Giacometti de R$ 450 mi detona briga entre bilionários colecionadores

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Obra de Giacometti de R$ 450 mi detona briga entre bilionários colecionadores


Um colecionador de arte processou David Geffen para ter de volta uma valiosa escultura de Giacometti que, segundo ele, foi vendida sem seu conhecimento por seu consultor de arte como parte de uma fraude elaborada.

Nos documentos judiciais apresentados nesta terça-feira (4) no tribunal federal em Manhattan, Justin Sun, um empreendedor de criptomoedas e colecionador de arte baseado em Hong Kong, afirmou que a escultura de Giacometti, intitulada “Le Nez”, pela qual pagou US$ 78,4 milhões (cerca de R$ 454 milhões, na cotação atual), foi roubada dele e vendida pelo ex-consultor, nomeado nos documentos do tribunal como Xiong Zihan Sydney.

Xiong ajudou Sun a adquirir a escultura de Giacometti em um leilão em 2021 e sugeriu em entrevistas que a escultura faria parte de uma coleção a ser possuída pela Fundação APENFT, uma plataforma que Sun estaria estabelecendo para ajudar a conectar o mundo da arte ao metaverso.

Mas os advogados de Sun disseram nos documentos judiciais que ele continuava sendo o proprietário da obra e que Xiong falsificou sua assinatura em documentos relacionados ao negócio.

Como parte do esquema, os documentos judiciais afirmam que o consultor parece ter fabricado a existência de um advogado que supostamente supervisionava o negócio e então enviou e-mails se passando por esse advogado.

Xiong não pôde ser contatado para comentar.

O advogado de Geffen, Tibor L. Nagy, divulgou um comunicado no qual caracterizou as alegações de Sun no processo como “bizarras e infundadas” e sugeriu que Sun simplesmente queria desfazer o negócio.

“Chamamos isso de arrependimento do vendedor”, dizia o comunicado.

No processo, os advogados de Sun disseram que dois negociantes de arte e seu advogado, trabalhando com Geffen, um importante colecionador de arte e filantropo, deveriam ter feito perguntas sobre “sinais de alerta óbvios” quanto à legitimidade da venda antes de prosseguir. Eles descreveram um desses “sinais” como o fato de que o suposto advogado estava se comunicando através de uma conta pessoal do Gmail em vez de um endereço mais profissional.

“Os réus devem restituí-la ou pagar danos muito substanciais ao autor”, disseram os advogados de Sun sobre a escultura, de acordo com o processo.

Sun chamou a atenção do público no mundo da arte no ano passado quando pagou US$ 6,2 milhões (R$ 36 milhões) por uma obra que consistia em uma banana fresca presa a uma parede com fita adesiva. Ele posteriormente comeu a banana. (A banana era o centro de uma obra de arte conceitual de 2019, “Comedian”, do renomado artista brincalhão Maurizio Cattelan. Ela vem com um certificado de autenticidade e instruções de instalação para que os proprietários substituam a banana —se desejarem— na parede, sempre que apodrecer.)

Os advogados de Sun disseram que seu cliente havia “expressado interesse” em 2023 em encontrar um comprador que pagasse mais de US$ 80 milhões (R$ 464 milhões) pela escultura de bronze, aço e ferro de Giacometti, que retrata uma cabeça suspensa, enjaulada, com um maxilar escancarado e um nariz alongado. Mas os documentos judiciais dizem que ele nunca deu ao seu consultor a autoridade para negociar um acordo, apenas para fazer consultas.

O processo diz que, no entanto, o consultor negociou um acordo com os representantes de Geffen por menos do que Sun estava buscando. Segundo o acordo, de acordo com os documentos judiciais, Geffen entregou duas obras de arte —juntas avaliadas, segundo os documentos judiciais, em US$ 55 milhões (R$ 319 milhões)— além de outros US$ 10,5 milhões (R$ 60,9 milhões) em dinheiro, em troca do Giacometti.

“O autor nunca teria concordado com tal transação se tivesse sido informado sobre ela —o autor havia expressado interesse apenas em vender ‘Le Nez’ com lucro sobre o que pagou e em um negócio totalmente em dinheiro (ou equivalente)”, disseram seus advogados nos documentos judiciais.

Mas em sua declaração, Nagy, o advogado de Geffen, sugeriu que Sun estava ciente do acordo. “O Sr. Sun recebeu duas pinturas e US$ 10,5 milhões pela escultura que vendeu”, dizia a declaração. “Depois de tentar e não conseguir vender as pinturas, ele agora quer renegociar o acordo.”

No processo de Sun, seus advogados disseram que ele não percebeu que a escultura havia sido vendida até muitos meses depois que Geffen a comprou. O processo diz que o consultor de arte usou o dinheiro entregue no acordo com Geffen para sugerir a Sun que ela havia encontrado um colecionador interessado na escultura que havia feito um depósito de US$ 10 milhões (R$ 58 milhões). Eles dizem no processo que ela então encaminhou essa quantia para Sun e ficou com os US$ 500 mil (R$ 2,9 milhões) restantes para si.

O processo de Sun diz que ele só descobriu o esquema em dezembro passado, quando voltou ao consultor e a questionou sobre a falta de progresso nesse acordo. Os advogados disseram que então entraram em contato com os representantes de Geffen, mas foram informados de que ele não estava devolvendo a obra.



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