O Tempo da Cultura – 125 Anos da Academia Pernambucana de Letras e 164 do Arqueológico

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
O Tempo da Cultura – 125 Anos da Academia Pernambucana de Letras e 164 do Arqueológico


A Academia jamais interrompeu sua dinâmica de levar à sociedade as manifestações culturais que compuseram o caleidoscópio dessas duas gestões



Clique aqui e escute a matéria

Neste 26 de janeiro, a Academia Pernambucana de Letras (APL), no clima de seus 125 anos, celebra para o mundo a glória de um tempo social e culturalmente histórico. Corria o ano de 1901 quando Carneiro Vilela, seu primeiro presidente, ainda que por breve período, fundava aquela que viria a ser a terceira academia de letras mais antiga do país.

Se, nos seus primórdios, era uma entidade sem sede própria, abrigada sobretudo no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, desde 1966, a APL passou a ocupar, em regime de comodato concedido pelo então governador Paulo Guerra, o Solar do Barão Rodrigo Mendes.

Anos depois, em 1973, atendendo a apelo do presidente Mauro Mota, o governador Eraldo Gueiros fez a doação definitiva do imóvel à Academia.

Desde cedo, a APL afirmou-se como instituição fiel à sua missão essencial: cultivar o pensamento crítico e cognitivo, promover a pesquisa histórica, a literatura e o diálogo com o tempo tríduo – passado, presente e futuro – tão do gosto de Gilberto Freyre.

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×350-area” });
}

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×250-4” });
}

Na solenidade do dia 26, segunda-feira, às 19 horas, a Casa de Carneiro Vilela, engalanada, abre suas portas para celebrar uma data que tanto orgulho confere à pernambucanidade que norteia o nosso espírito.

O atual presidente, Lourival Holanda, despede-se da elevada missão de liderar o sodalício após duas gestões consecutivas (2022–2024 e 2024–2026). Pode-se dizer, alto e bom som, que foram mandatos exitosos, marcados por intensa atividade e realizações, num clima permanente de motivação e proatividade.

A Academia jamais interrompeu sua dinâmica de levar à sociedade pernambucana as manifestações culturais que compuseram o caleidoscópio dessas duas gestões. Realizaram-se palestras, exposições, concertos, cursos, debates literários, estudos sobre literatos e lançamentos de livros, além da manutenção da Casa aberta à visitação pública.

Na solenidade dos 125 anos, o escritor e acadêmico Lourival Holanda passa o bastão à acadêmica Margarida Cantarelli, que assumirá a Presidência, tendo como vice-presidente Maria Lectícia Cavalcanti – mais uma vez, duas mulheres ocupam o vértice da APL.

Cantarelli já exerceu a Presidência da Instituição em duas ocasiões distintas, imprimindo, em ambos os mandatos, gestões férteis voltadas às atividades-fim da Academia. Como educadora, sempre teve a visão de trazer estudantes para as visitações à Casa, fomentando o gosto pela leitura e pela escrita.

É também seu propósito convidar academias de outras cidades para a interiorização dos projetos e ações da APL, bem como ampliar as visitações à Casa, que continuará aberta às vivências e convivências literárias.

O Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) mantém, há 164 anos, acesa a lâmpada votiva voltada ao passado, na quietude de seus acervos e na memória dos feitos deste Pernambuco altivo, vertical, deitado apenas no mapa – como nos ensina João Cabral de Melo Neto.

Essa Casa da cultura pernambucana eleva-se no culto da verdade histórica, um diferencial de bravura que não se alcança apenas pela sucessão dos fatos, mas pelo sentido que eles exprimem no contexto da história nacional.

No dia 28 próximo, quarta-feira, às 15 horas, o presidente do IAHGP, George Cabral, historiador renomado e insigne acadêmico, reúne a sociedade pernambucana para, mais uma vez, comemorar o aniversário do Instituto e celebrar os 372 anos da Insurreição Pernambucana.

O momento solene terá como orador o ilustre professor Antônio Jorge Siqueira, que certamente lançará luz sobre a história do Instituto e, igualmente, sobre os fatos da Insurreição Pernambucana – uma página sempre aberta a estudos e reflexões sobre o seu significado.

Celebrar datas institucionais não é apenas assinalar a passagem do tempo. É, sobretudo, revisitar trajetórias, renovar compromissos e reconhecer a permanência de valores que resistem às transformações históricas.

Ao comemorar os 125 anos da Academia Pernambucana de Letras e os 164 anos do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, celebra-se mais do que a longevidade de duas instituições: celebra-se a própria construção intelectual, cultural e histórica de Pernambuco e, por extensão, do Brasil.

Embora possuam naturezas distintas, APL e IAHGP compartilham uma mesma vocação: a defesa do conhecimento e da cultura como fundamentos da sociedade. História e literatura, longe de campos isolados, dialogam continuamente. A história fornece à literatura contexto, conflitos e memória; a literatura, por sua vez, humaniza a história, dá voz às experiências individuais e amplia a compreensão do tempo vivido.

A longevidade dessas instituições também retrata a importância de Pernambuco na vida cultural brasileira. Desde o século XIX, o Estado firmou-se como espaço de resistência, inovação e produção intelectual. Revoluções político-libertárias, movimentos literários, debates filosóficos e experiências estéticas encontraram aqui terreno fértil.
Pernambuco escreve, com as letras do irredentismo, o seu passado histórico, mantendo acesa a chama votiva da liberdade.

Roberto Pereira, Cadeira 35 da Academia Pernambucana de Letras





Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *