Caso no Brasil é importado, mas chama a atenção para a imprevisibilidade do vírus influenza e a necessidade de manter a vacinação contra gripe em dia
Cinthya Leite
Publicado em 17/12/2025 às 21:43
| Atualizado em 17/12/2025 às 21:49
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Uma nova mutação de um vírus já conhecido das autoridades sanitárias, o influenza (causador da gripe), acendeu o alerta da vigilância epidemiológica brasileira. O mais recente boletim de síndromes gripais do Ministério da Saúde confirmou o primeiro registro no País do subclado K da influenza A (H3N2), popularmente chamado de “gripe K”.
Essa nova variante, que entrou no radar da Organização Mundial de Saúde (OMS), tem se disseminado rapidamente e já afeta 30 países. “No caso do subclado K da influenza A (H3N2), o único caso detectado no Brasil, no Estado do Pará, foi de uma infecção ocorrida no exterior (caso importado)”, diz, em nota, o Ministério da Saúde.
Identificada pela primeira vez no Brasil por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), a nova variante foi observada inicialmente, em agosto, na Austrália e Nova Zelândia.
Inicialmente, a amostra, coletada em Belém (Pará), em 26 de novembro, foi analisada pelo Laboratório Central do Estado do Pará (Lacen-PA) e encaminhada para caracterização genética no Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do IOC, que atua como referência nacional junto ao Ministério da Saúde e internacional junto à Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
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A partir da utilização da técnica de sequenciamento genético, conduzida pelo Laboratório do IOC, foi possível determinar que se tratava da nova linhagem.
A amostra foi coletada de uma paciente do sexo feminino, adulta e estrangeira, oriunda das ilhas Fiji. Apesar de se tratar de um caso importado, especialistas acreditam que essa variante tem potencial para aparecer em uma próxima temporada com maior impacto no Brasil.
“O caminho é monitorar o cenário epidemiológico e reforçar a vacinação. É importante lembrar que, quando um caso é identificado e confirmado, muito provavelmente existem outros circulando. Todos os anos nós observamos variações do vírus influenza. Isso faz parte do comportamento natural desse agente”, explicou, ao JC, o pediatra infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Em relação ao momento atual, ele comenta que a precocidade na circulação da “gripe K”, no Hemisfério Norte, é o que chamou atenção. “Surgiu de forma mais precoce do que o habitual, com taxa elevada de transmissão naquela região. Esse adiantamento é, até o momento, o principal ponto que nos faz ficar atento.”
Sobre o comportamento da “gripe K” no Hemisfério Norte, Renato Kfouri reforça que ainda é cedo para tirar conclusões mais definitivas. “Só vamos compreender melhor como essa mutação da influenza vai se comportar por volta do meio da temporada (sazonalidade na região acontece entre os meses de dezembro a março)”, frisa Renato Kfouri.
“O vírus da gripe é notoriamente imprevisível: não sabemos se essa variante vai predominar sobre as outras cepas em circulação, nem qual será exatamente o seu impacto. Isso só o acompanhamento contínuo vai mostrar.”
Diante desse cenário, a principal recomendação continua sendo a mesma: vacinar a população. “A imunização é fundamental. Nós sabemos que praticamente sete, em cada 10 mortes por gripe, ocorrem em grupos de risco. Por isso, é essencial que essas pessoas procurem a vacina e mantenham a imunização em dia.”
Riscos nas festas de fim de ano
A nova variante não faz parte da composição das vacinas mais recentes produzidas para a temporada de gripe no Hemisfério Norte.
Mas, em conversa com jornalistas em Genebra, a chefe da Unidade de Ameaças Respiratórias da OMS, Wenqing Zhang, explicou que as primeiras evidências sugerem que os imunizantes sazonais atuais “continuam a oferecer proteção contra doenças graves e a reduzir o risco de hospitalização”.
Ela ainda sublinhou que o período de festas de fim de ano pode trazer um aumento ainda maior de doenças respiratórias. Ela recomendou o planejamento antecipado e os esforços de preparação, incluindo o incentivo à vacinação e o fortalecimento da capacidade do sistema de saúde.
A OMS estima que ocorram cerca de um bilhão de casos de gripe sazonal anualmente, incluindo até cinco milhões de casos de doenças respiratórias graves, que causam até 650 mil mortes por ano.

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