Tema fez o que, há tempos, era necessário: uniu jovens em torno de um mesmo propósito, o de repensar como o País enxerga, acolhe e valoriza os idosos
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Poucas vezes um tema de redação do Enem mobilizou tantos profissionais da saúde como o deste ano: “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. Assim que o tema foi divulgado, vibrei. Em 2004, quase dois anos depois de me formar em jornalismo, iniciei uma especialização em gerontologia. Desde então, o envelhecimento ativo e a longevidade se tornaram parte do meu olhar sobre a saúde.
Ao longo deste domingo (9), vi médicos e demais profissionais comemorarem. E não foi por acaso. O assunto toca fundo em todos nós, porque envelhecer é um desafio coletivo.
Gosto de acompanhar de perto os debates sobre longevidade e envelhecimento ativo, temas que precisam sair das salas acadêmicas e dos consultórios para ganhar o cotidiano de todas as gerações.
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Assim, a escolha do tema da redação do Enem deste ano foi um convite para o Brasil se olhar no espelho do tempo. É inspirador ver a temática provocar esse debate entre jovens, que talvez nunca tivessem parado para pensar a fundo sobre o próprio envelhecer ou o dos seus avós. Que bom que o assunto saiu das páginas técnicas para ganhar o olhar da juventude.
O médico gerontólogo, pesquisador e epidemiologista Alexandre Kalache, referência mundial em envelhecimento ativo, publicou um vídeo, no Instagram, em que fala como o tema do Enem foi um presente de aniversário. Ele completou 80 anos há duas semanas. E foi bonito ver essa simbologia: um homem, que dedicou a vida a construir pontes entre gerações, ver a juventude refletir sobre o envelhecer.
Em agosto deste ano, tive a oportunidade de assistir, no Afya Summit, em São Paulo, a uma aula de Kalache, que deixou claro como “envelhecer é bom, envelhecer é uma conquista social.” Ele fez um convite à reflexão sobre a revolução da longevidade.
Naquela ocasião, Kalache chamou a atenção para o fato de a medicina ainda ser estruturada em torno do ato de curar, não de cuidar. “Apenas 10% das escolas médicas têm geriatria em seu currículo. No meu tempo de estudante, sequer se falava nisso. Só ouvi o termo quando já estava na pós-graduação.”
Essa lacuna, segundo Kalache, revela a dificuldade do País em preparar médicos para lidar com a maior transformação demográfica da história: o envelhecimento da população.
Outros profissionais também se manifestaram em rede social sobre o tema da redação do Enem. O cardiologista Audes Feitosa, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade de Pernambuco (UPE), lembrou que envelhecer bem não é apenas “não adoecer”, mas ter acesso à saúde, manter vínculos, autonomia e qualidade de vida.
Já o psiquiatra e psicogeriatra Alberto Gorayeb, coordenador do Ambulatório de Psicogeriatria do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), escreveu que envelhecer é um “exercício de delicadeza e coragem” e que, “no fundo, uma arte rara que cobra muito talento”.
Ele destaca que a população brasileira envelhece de forma desigual, em meio a um processo marcado por fortes disparidades regionais e socioeconômicas. “Muitos brasileiros envelhecem em contextos de baixa renda, aposentadorias insuficientes e redes familiares em transformação. A violência contra a pessoa idosa é um problema crescente no Brasil, manifestando-se por negligência, abuso psicológico, financeiro e físico, muitas vezes dentro do próprio ambiente familiar”, destaca.
Também ao comentar o tema da redação do Enem, o geriatra Daniel Gomes, cofundador do Instituto Envelhecer com Saúde, ressaltou que envelhecer é uma das maiores oportunidades do nosso tempo. “Estamos vivendo mais, e isso é uma conquista enorme. Mas o grande desafio agora é viver melhor: com saúde, autonomia, propósito e dignidade. Esse é um tema que diz respeito a todos nós: jovens, filhos e netos; aos idosos, a toda sociedade”, diz Daniel.
Ao longo deste domingo de Enem, visões como essas, complementares de uma mesma jornada, revelam que a longevidade diz respeito a todos nós.
O debate desponta com reflexões que mostram o quanto o Brasil envelheceu rápido. Diferentemente de países europeus, que levaram décadas para transformar a pirâmide etária, nós chegamos a esse ponto em tempo recorde e, muitas vezes, sem o preparo necessário em termos de políticas públicas, estrutura e mentalidade social.
Mas o envelhecimento também é uma conquista. É o resultado de avanços da ciência, do Sistema Único de Saúde (SUS) e da própria sociedade. E cabe a nós, como país, garantir que viver mais signifique também viver melhor.
Falar sobre envelhecimento é, também, falar sobre o presente, sobre a forma com que cuidamos da nossa saúde, do corpo, das relações e do tempo.
Tomara que o Enem deste ano tenha plantado sementes. Que os jovens, ao escreverem suas redações, também tenham escrito um pouco sobre o país que desejam construir: um país onde envelhecer seja sinônimo de dignidade, aprendizado e trocas entre gerações.


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