Iniciativas comunitárias estimulam a cultura local, abrindo oportunidades e favorecendo a interação social a partir do conhecimento do mundo
Publicado em 11/09/2024 às 0:00
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Crítica
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artísticas, nas mais diversas áreas, como literatura, música, cinema e artes visuais.
A leitura de uma página inteira pode não ser tão fácil. O acesso aos livros, para a maioria dos brasileiros, é difícil – não pelo preço dos livros, mas pela falta de políticas públicas que ampliem o acesso, seja através de compras de acervos para escolas, seja pelo investimento necessário em bibliotecas públicas e comunitárias. O potencial transformador da leitura é conhecido desde os primórdios da linguagem impressa, chegando a ser proibida ou restrita por quem detinha o poder. E não por acaso, em pleno século 21, em um país de gritante desigualdade como o Brasil, o baixo índice de leitura – e de compreensão do que se lê – continua sendo fator de perpetuação das condições desiguais que sufocam o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida da população. Vale sempre repetir o óbvio: a educação é a base do crescimento individual e coletivo, e começa pelo aproveitamento dos potenciais despertados pela leitura. E o local onde a leitura se consuma, e os livros são os instrumentos de mudança, é a biblioteca.
Conferir iniciativas que respaldam o que outros países já fizeram, pode estimular os governos no Brasil, em todos os níveis, a investirem nas bibliotecas, e assim, na educação e no desenvolvimento. É o caso da Biblioteca Multicultural Nascedouro, criada em Peixinhos, Olinda, num terreno degradado onde funcionava um antigo matadouro de animais. Desde o ano 2000, como o JC-PE mostrou em reportagem de Maria Claro Trajano, o espaço abriga atividades de mediação de leitura, exibição de filmes e debates – e oferece livros de empréstimo para as pessoas da comunidade, multiplicando o alcance da leitura e seus desdobramentos em cada leitor e leitora conquistados. Graças a uma parceria com a UFPE, um programa de extensão leva estagiários da Universidade para a Biblioteca Nascedouro, há dez anos. Crianças que frequentaram a casa dos livros nesse período puderam crescer com outras perspectivas, por causa da leitura. E reconhecem isso. Os cidadãos reconhecem o benefício dos livros – os gestores públicos, nem sempre. Basta ver as condições de funcionamento da maioria das bibliotecas públicas, escolares ou comunitárias, espalhadas pelo território nacional.
Na mesma Biblioteca Nascedouro, professoras voluntárias tocam o projeto ABC das Marias, que promove aulas de leitura e escrita para mulheres com mais de 50 anos. Um exemplo que ilustra a capacidade de engajamento social de uma biblioteca, o mais democrático equipamento público que um governo e uma sociedade podem ter. A biblioteca é um lugar de acolhimento, de aprendizado, de trocas, e até de recolhimento e imersão. E não há exclusão para a oferta de bibliotecas, que podem ser comunitárias, municipais, estaduais ou mesmo federais. Qualquer gestor público, dotado de sensibilidade e orçamento, pode fazer mais pelas bibliotecas – e por conseguinte, pelos cidadãos. Como tantas coisas travadas no país, a melhoria das bibliotecas depende de sua escolha como prioridade para uma reforma de base. Sem a escolha do que é preciso ser feito, continuaremos, enquanto nação, mais acostumados a matadouros abandonados do que a nascedouros de cultura e justiça social.

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