Os impactos imediatos da sobretaxação, pelos Estados Unidos, de produtos importados de várias partes do planeta pelos norte-americanos, podem ser vistos em duas direções. Na primeira, a cadeia produtiva envolvida com o prejuízo requer apoio do setor público para não quebrar, e continuar gerando empregos relacionados à exportação. O movimento seguinte à contabilização das perdas é o reposicionamento no mercado, a partir da prospecção de compradores substitutos, no caso de queda brusca da clientela dos EUA. Na segunda direção, contudo, a dimensão interna, em cada país, do desmantelo gerado pelo tarifaço de Donald Trump, dá lugar à observação atenta para o realinhamento não apenas das empresas e dos produtos, mas das nações, no rearranjo do comércio global nos próximos anos – o que significa, antes de mais nada, grande incerteza, mas também a possibilidade de renovação legal e institucional dos mecanismos comerciais e diplomáticos atropelados pela Casa Branca.
A mudança atinge um modelo de funcionamento da globalização em vigor e aceleração desde a segunda metade do século passado. Embora não seja possível prever se as alíquotas definidas agora irão recuar ou subir, de acordo com o humor do novo guia de Washington, a única coisa certa para diversos analistas econômicos é que a globalização comercial, como a conhecíamos, pode estar ficando para trás. O multilateralismo sofre um baque, e o bilateralismo mais afeito a um populismo nacionalista como o de Trump ganha força. Se isso continuará valendo daqui a quatro anos, é outra história. Mas o grau de transformação não é pequeno, por se tratar de relações comerciais tão antigas entre tantos países.
Com a exportação aos EUA mais cara, o primeiro momento deve levar a uma redução do comércio global baseado na compra norte-americana. Por outro lado, a consolidação de outras rotas comerciais tende a se efetuar, em substituição às rotas para os norte-americanos. Somente em alguns anos a rearrumação dirá a que veio, com a situação assentada por tarifas – espera-se – estáveis e previsíveis. A falta de previsibilidade é um dos maiores freios da economia, mesmo que de algumas surpresas para a maioria, alguns poucos extraiam incríveis lucros – como no caso da compra de dólares vinculada ao anúncio das tarifas pelo presidente norte-americano.
Enquanto potências nacionais e de blocos avaliam as novas configurações, o lugar estratégico do Brasil precisa ser encontrado – ou criado – pelos brasileiros. A necessidade da recomposição para alguns setores específicos, que tiveram confirmada a nova alíquota, mas também de segurança para toda a produção voltada para o mercado norte-americano, deve nortear a estratégia das empresas e dos governos, por alguns meses. A partir de certo momento, o importante será perceber o papel do país nesse mercado em desenvolvimento, para valorizar o reposicionamento e conquistar melhores condições para os brasileiros.
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