A vida se torna melhor, mais intensa, quando indivíduos assumem o difícil papel da arte de pensar a vida para além de seus limites individuais
Publicado em 15/02/2025 às 23:40
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A definitiva partida de Fernando Monteiro nos recorda, uma vez mais, a frase de Millôr: “Partir é morrer um pouco, morrer é partir demais”. Os que ficam sempre lamentam as perdas inexoráveis da morte. Na expressão do luto imediato, em regra perturbado e em choque, a palavra assentada na razão que não descarta a emoção pode trazer o consolo compartilhado por todos que buscam explicação onde apenas o fim floresce como sentido. É o que faz Eduardo Cesar Maia, em depoimento para o Livronews, logo após a confirmação do falecimento de Fernando Monteiro. Trazemos alguns trechos aqui.
Para Eduardo Maia, Monteiro foi radicalmente apocalíptico. “Achava que o cinema de verdade tinha terminado na década de 1970 (com Antonioni); e a literatura, talvez, bem antes disso. O nosso tempo era para ele de penúria, de indigência intelectual, de chavões, de cópias baratas, de escritores de vitrine… Era uma espécie de Velho do Restelo que nos advertia, incansavelmente, de que havia algo de podre nos caminhos que os novos navegantes estavam tomando. – Mísera sorte! Estranha condição!”, compara.
A figura do intelectual no alto de um farol talvez valha para ilustrar o olhar de perspicácia pessimista do autor de “A cabeça no fundo do entulho” (Record, 1999). Segue Eduardo Maia: “Fernando Monteiro era um Autor, e o A maiúsculo é proposital. Não nos enganemos: escritores temos em toda parte, quase como uma praga; o que nos falta são autores (os que aumentam o protocolo da língua e da imaginação, e não os que só digam o que queremos protocolarmente escutar). Coisa rara”. Leia o depoimento completo de Eduardo Cesar Maia no site do Livronews.
A vida se torna melhor, mais intensa, e mais sensível, quando indivíduos assumem o difícil papel da arte de pensar a vida para além de seus limites individuais. Fernando Monteiro se foi, mas seu nome se eterniza na cultura brasileira, na voz que ecoa em seu trabalho, no horizonte que sobressai de seu olhar.
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Prêmio Oceanos
A partir desta segunda, 17, estão abertas as inscrições para o Prêmio Oceanos de Literatura em Língua Portuguesa, um dos mais prestigiados do mundo lusófono. Obras de poesia e prosa com a primeira publicação em 2024 podem ser inscritas até o dia 17 de março. Os interessados podem se inscrever gratuitamente em www.premiooceanos2025.associacaooceanos.org. O patrocínio é do Itaú e do Ministério da Cultura de Portugal.
Mar que Arrebenta
Seleção de originais para publicação de romances pela Arrelique, estão abertas as inscrições para o Prêmio Mar que Arrebenta 2025. Serão escolhidos quatro obras inéditas de residentes nas regiões do Sertão, Agreste, Zona da Mata e Metropolitana do Recife, em Pernambuco. O prazo para submissão é 13 de abril, e os livros selecionados serão publicados ainda este ano. Mais informações no Instagram @arreliqueeditora.
Othon Bastos
A Livraria Janela do Shopping da Gávea, no Rio de Janeiro, será palco do lançamento do livro com o texto da peça que celebra os 91 anos do ator Othon Bastos. “Não me entrego, não!” é de autoria de Flávio Marinho, em publicação da Cobogó. Nesta quarta, 19, a partir das 7 da noite, em sessão de autógrafos com a presença do autor e de Othon Bastos.
Escrita criativa
Em evento do curso de Especialização em Escrita Criativa da CESAR School, Clarice Freire conversa com Lorena Portela, autora de “O amor e sua fome” (Todavia, 2024) nesta quarta, 19, a partir das 7 da noite. “Será uma ótima oportunidade para conhecer a nossa Especialização e trocar ideias e inspirações sobre a escrita e o mercado literário”, convida Clarice Freire em suas redes sociais. A aula aberta sobre “Escrita Criativa Contemporânea” será online e gratuita, com inscrições pelo site: https://materiais.cesar.school/aula-experimental-especializacoes-escrita.
Garoupa
Será no Sacrilégio Bar, em São Paulo, o lançamento de “As filhas das mães que morrem”, de Maia Melo, publicado pela Garoupa. O livro traz poemas do período de adoecimento e falecimento da mãe da autora catarinense. Nesta quinta, 20, a partir das 7 da noite.

A jornalista e escritora Mariana Grebler – Divulgação
Nó de cravo
Foi na Livraria da Vila, em São Paulo, na última quinta-feira, o lançamento de “Nó de cravo”, segundo livro da jornalista e escritora Mariana Grebler. Publicada pela Labrador, a obra de ficção aborda a escalada, esporte olímpico que é uma das paixões da autora, que vive na Serra do Cipó, em Minas Gerais, considerada o maior polo brasileiro de escalada esportiva.

A escritora Eulina Ferraz – Divulgação
Eulina Ferraz
A Livraria do Jardim, no Recife, recebeu no último sábado o lançamento de Eulina Ferraz: “Chamou para um café (e me queimou para sempre)”, reunião de contos, crônicas e poesias sobre amor e autoconhecimento. A autora nasceu em Garanhuns e este é seu segundo livro.
A menina e a baleia
Saindo pela Reco-Reco, no Brasil, o novo livro do mesmo autor de “Leo e a Baleia”. Com tradução de Marília Garcia, “A menina e a baleia”, escrito e ilustrado por Benji Davies, “reflete sobre os laços entre gerações, a resiliência diante das dificuldades e a beleza das histórias que nos conectam”, de acordo com a divulgação. Davies tem obras traduzidas em mais de quarenta idiomas, com milhões de exemplares em várias partes do mundo.

Maíra Azevedo estreia na literatura infantil – Divulgação
Estreia da Tia Má
Taís Araújo e Ivete Sangalo assinam textos na quarta capa de “A menina que não sabia que era bonita”, estreia de Maíra Azevedo, a Tia Má, na literatura infantil, retratando o processo de autoestima de uma menina negra. A autora também é atriz, roteirista e jornalista. A publicação é da Malê.
O fundo invisível da lagoa
Em publicação da Literíssima, Rafaela S. Polanczyk traz seu oitavo livro, tendo por inspiração a Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte. A partir da queda acidental de uma adolescente na lagoa, a fantasia chama a atenção para questões socioambientais. A autora é bióloga e atualmente cursa o doutorado na Alemanha. O livro conta com apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
Sete minutos
A Coleção Dramaturgia da Cobogó lança em livro a peça de Antonio Fagundes sobre o fazer teatral e a relação entre o público e o teatro. Em “Sete minutos”, o ator e entusiasta da literatura traz como personagem um ator veterano que abandona o palco no meio da apresentação de “Macbeth” de Shakespeare. Numa das falas, o ator diz: “Queremos a alma de quem nos procura, não o dinheiro. Andamos na corda bamba da emoção, aqui em cima do palco, exigindo em troca, apenas, a rede carinhosa de proteção da plateia”.

Capa do livro de ACM Pinto – Divulgação
CNOOC
Renomado cantor e compositor, Antonio Carlos Marques Pinto (da dupla Antonio Carlos e Jocafi) lançou seu primeiro livro em quadrinhos. “CNOOC – A inteligência do futuro”, publicado pela Fórum da Cultura. Aos 79 anos, o autor assina como ACM Pinto. Com ilustrações de Rafael Cotrim, a obra para o público infantojuvenil sai em português e mandarim, promovendo intercâmbio cultural entre o Brasil e a China.


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