O julgamento de Bolsonaro e a ilusão do poder relativo para os militares

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O julgamento de Bolsonaro e a ilusão do poder relativo para os militares


A trajetória dos generais Augusto Heleno e Braga Netto simboliza como carreiras exemplares podem ser destruídas por escolhas políticas.



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O julgamento de Jair Bolsonaro começou e já se consolida como o grande assunto político da semana. O processo foi aberto com a leitura do relatório e com as primeiras sustentações. Chama atenção o fato de militares de altíssima patente estarem no banco dos réus do Supremo Tribunal Federal.A imagem de figuras como Augusto Heleno e Braga Netto, generais admirados por diferentes gerações, agora associadas a um processo de tentativa de golpe, causa impacto profundo.

Durante anos, eles foram tratados como ídolos dentro das Forças Armadas, símbolos de carreiras exemplares. Augusto Heleno, por exemplo, construiu um currículo que qualquer militar gostaria de ter. Foi comandante da Cavalaria Blindada, chefiou o Centro de Capacitação Física do Exército, serviu como adido militar em Paris, comandou o Departamento de Ciência e Tecnologia e liderou a missão da ONU no Haiti.

Sempre foi visto como referência, um modelo de excelência para oficiais em formação.

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O general Braga Netto

Braga Netto também acumulou funções de grande responsabilidade. Atuou como adido na Polônia, chefiou o Estado-Maior, foi comandante militar do Leste e responsável pela intervenção federal no Rio de Janeiro, quando coordenou a segurança da cidade. Ao longo da carreira, recebeu 23 medalhas nacionais e 4 internacionais, incluindo a Ordem do Rio Branco e a Ordem do Mérito Militar.

Tanto ele quanto Heleno, admirados como ídolos no meio militar, agora têm seus nomes ligados a acusações que podem e devem marcar para sempre sua biografia.

O legado construído com muito esforço, virou pó. Tudo porque eles buscaram o poder relativo da política, que não perdoa ninguém.

Carreira militar x política

A vida militar é linear e ascendente, sem retrocessos: quem chega a general não volta a soldado. A política, em contraste, é feita de altos e baixos. Hoje há prestígio, amanhã desprezo. Esse movimento instável coloca em risco legados construídos ao longo de décadas.

O problema é que, ao ingressarem na política, Augusto Heleno e Braga Netto deixaram de ser lembrados apenas pelos feitos militares. Agora carregam na biografia a acusação de tentativa de golpe de Estado, abolição do regime democrático e associação criminosa.

Esse episódio serve como alerta a outros militares que cogitam entrar na política. É preciso refletir se vale a pena trocar o reconhecimento conquistado em anos de serviço pelo risco de ser reduzido a réu em ações judiciais. O poder político, muitas vezes, não compensa a perda de reputação.

A política entrega apenas um poder relativo, sempre condicionado a concessões e, por vezes, às práticas pouco éticas. Quem tem carreira consolidada pode acabar perdendo mais do que ganhando ao aceitar essas regras do jogo.

Além dos militares

Essa reflexão não se restringe às Forças Armadas. Vale também para juízes, promotores e outras carreiras sólidas. O exemplo de Sérgio Moro ilustra como a entrada na política pode corroer uma imagem antes respeitada. Antes tratado como um super-herói popular, o antigo juiz da Lava Jato abandonou tudo para ser ministro da Justiça, saiu do cargo execrado pelo governo do qual fazia parte. Uma vez senador, quase teve o mandato cassado e vive isolado no mundo partidário, tratado como pária pelos colegas, apesar de ainda ter boa popularidade em seu estado, o Paraná.

Há inúmeras formas de contribuir para o coletivo sem precisar se lançar numa disputa política. É possível fazer isso no hospital, na igreja, nas redações de jornal, com trabalhos comunitários ou em qualquer outra atividade, sem precisar entrar na política para isso.

Se não tivessem entrado nesse meio, Augusto Heleno e Braga Netto, entre outros, estariam hoje em condições diferentes. E a história do Brasil, hoje, poderia ser diferente.

Política é ferramenta importante e não deve ser criminalizada, mas não pode ser vista como oportunidade de poder e realização, nem mesmo para os que se acreditam bem intencionados, porque é um espaço de sacrifícios éticos que nem a todos convém.

Conclusão

O julgamento de Augusto Heleno e Braga Netto mostra como trajetórias admiráveis podem ser reescritas pelo envolvimento político. De ídolos militares, tornaram-se réus em um processo histórico. O caso é um aviso sobre os limites e os riscos de buscar o poder relativo quando já se tem um legado consolidado.





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