Criado pelo presidente dos EUA, o Conselho da Paz deve ter Donald Trump como líder vitalício – em outro sinal de autoritarismo na Casa Branca
JC
Publicado em 25/01/2026 às 0:00
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Depois de retirar financiamento e apoio político da Organização das Nações Unidas (ONU), o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enxergou na destruição de Gaza pelos israelenses uma oportunidade para impor um novo colegiado de nações – comandadas por ele, Trump, de maneira vitalícia. A montagem do chamado Conselho da Paz espelha o modelo mental do ocupante da Casa Branca, que se vê como presidente do mundo, mais do que de um país. E por maior que seja a potência estadunidense, o desprezo ao direito internacional e às instituições globais, como a ONU, representa um mau presságio para as relações entre os países, e para a estabilidade que se deseja conquistada democraticamente.
Na prática, cria-se um clube de sócios que pagam pela permanência, e um dono que conta com o apoio dos sócios para fazer o que quiser – no planeta. Da América do Sul, apenas a Argentina e o Paraguai já confirmaram participação no Conselho. Da Europa, a França, a Espanha e a Alemanha já disseram não ao convite. O Brasil está entre os que analisam a proposta, ao lado de Itália, Rússia, China, Ucrânia e o Reino Unido. Além de decisões a respeito de Gaza – não se sabe bem quais, sendo Israel um dos primeiros parceiros tradicionais dos EUA que ingressaram no Conselho – a entidade poderá se debruçar sobre outros conflitos, ou situações que levem a conflitos, em qualquer parte do mundo.
Assim, Trump quer fazer da Terra um condomínio que o tenha como síndico, perpetuamente. Isso diz muito de suas intenções, inclusive, em seu próprio país, onde a ampliação da violência como modo de governo assusta a população, a imprensa e a oposição democrata, que oscila entre o choque inerte e a indecisão, enquanto o autoritarismo do presidente da República faz os EUA cada vez mais semelhante a uma ditadura, com medidas totalitárias dentro e fora de suas fronteiras.
A mera sugestão declarada de Trump, de que o Conselho pode substituir as Nações Unidas, desmonta com brutalidade verbal um organismo diplomático com dezenas de anos de história, e múltiplos compartimentos humanitários. O Conselho da Paz põe tudo abaixo em um só golpe, limitando a articulação multilateral aos assuntos de guerra. O nome do conselho, aliás, recorda o lema de George Orwell em “1984”, romance distópico no qual uma das três tiranias que dominam o mundo baseia assim sua propaganda: “Guerra é paz – Liberdade é escravidão – Ignorância é força”. Sob o prisma do escritor britânico, podemos ler o Conselho da Paz, de Trump, como Conselho da Guerra.
Para permanecer mais de três anos no Conselho, os países convidados terão que desembolsar 1 bilhão de dólares, cada. Os recursos serão geridos por Trump para os propósitos da entidade. Ou seja, para garantir ou pregar a paz, a dinheirama arrecadada poderá servir para comprar armas e financiar ataques e invasões, em direção oposta ao que seu objetivo preconiza.

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