Continuação tenta superar a nostalgia abordando fé e política, mas carece do brilho cômico e da inventividade que tornaram o original um marco
Publicado em 19/12/2024 às 15:57
| Atualizado em 19/12/2024 às 16:07
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Há uma fascinação contemporânea em revisitar sucessos que antecedem a era digital, numa nostalgia que permeia desde as “live actions” da Disney até os remakes de novelas da TV Globo.
É como se obras dos tempos analógicos parecessem conferir algum atributo a produtos culturais, algo que muitas vezes se perde na dinâmica de consumo atual.
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É nesse contexto que “O Auto da Compadecida” (2000) entra para o grupo de obras que ganham continuação, trazendo consigo a inevitável pergunta: seria mesmo necessária?
Nova jornada
Dirigido por Guel Arraes e Flávia Lacerda, “O Auto da Compadecida 2” chega aos cinemas no Natal (25/12) e nos transporta para vinte anos após os eventos do primeiro filme.
Na década de 1950, Chicó (Selton Mello) agora vive nos fundos de uma igreja, sustentando-se com a contagem quase folclórica da ressurreição de seu amigo João Grilo (Matheus Nachtergaele), desaparecido há décadas.
Contudo, a história já não atrai turistas e curiosos como antes, até que Grilo reaparece com ares messiânicos, desestabilizando a pequena Taperoá, a cidade paraibana celebrada na obra de Ariano Suassuna.
Taperoá
Já em um primeiro momento, “O Auto da Compadecida 2” causa um estranhamento por sua cenografia e direção de arte. Uma Taperoá decadente foi reconstruída com elementos digitais que visam criar uma atmosfera fabular, mas o resultado por vezes beira o artificial.
Esse choque inicial se dissolve ao acompanharmos Chicó e João Grilo. Ainda que os diálogos careçam da comicidade ácida que consagrou o primeiro filme, Selton e Matheus conseguem recuperar a essência de seus personagens, muito pelo talento e carisma que imprimem.






No fim das contas, eles vencem pelas repetições de estilismos e bordões, conquistando simpatia, mas sem garantir ao filme aquela potência de outrora.
Entre as boas surpresas, destaca-se a personagem Clarabela, vivida com teatralidade e regionalismo por Fabiula Nascimento, além de uma Rosinha madura e empoderada, encarnada novamente pela pernambucana Virgínia Cavendish.
Reflexão política
Se o primeiro filme trouxe reflexões acerca de intuições como igreja e casamento, “O Auto da Compadecida 2” volta seus olhos para a política. A trama aborda as dinâmicas de poder e comunicação no Sertão dos anos 1950.
Chicó (Selton Mello) e João Grilo (Matheus Nachtergaele) em ‘O Auto da Compadecida 2’ – LAURA CAMPANELLA/DIVULGAÇÃO
Humberto Martins vive Ernani, um coronel em decadência que busca se tornar prefeito, enquanto Eduardo Sterblitch interpreta Arlindo, um radialista oportunista que manipula a opinião pública. João Grilo, como sempre, encontra-se no centro do caos, tornando-se inesperadamente um ícone político.
Nesse ponto, o filme ganha fôlego e apresenta uma narrativa envolvente, sem deixar de explorar a jornada de Chicó, que luta para se afirmar como artista, mesmo enfrentando a barreira do analfabetismo.
Julgamento
O clímax, com o julgamento celestial, promete dividir opiniões. Nachtergaele assume os papéis de Jesus e do Diabo, simbolizando a complexidade moral da condição humana. Taís Araújo traz uma Nossa Senhora ao seu jeito, combinando firmeza e compaixão, lembrando uma advogada determinada. Contudo, é justamente nesse final que o filme deixa evidente como foi arriscado repetir a fórmula.
“O Auto da Compadecida 2” traz perspectiva fresca sobre o universo de Suassuna, mas carece do brilho cômico e da inventividade que tornaram o original um marco do cinema nacional. O filme não é essencial, mas está lá para quem deseja revisitar Taperoá sob um novo olhar. E talvez isso, por si só, seja suficiente.


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