Novos livros sobre plantas, velhice e feminismo integram lançamentos da semana

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Novos livros sobre plantas, velhice e feminismo integram lançamentos da semana


Esta é a edição da newsletter Tudo a Ler desta quarta-feira (23). Quer recebê-la no seu email? Inscreva-se abaixo:

Marcelo Rubens Paiva sente o mesmo frio na barriga de um autor prestes a publicar seu segundo livro, mas “O Novo Agora” (Alfaguara, R$ 79,90, 272 págs.) será seu décimo sétimo.

O sentimento é explicado pelo boom que viveu com sua obra “Ainda Estou Aqui”. O livro lançado em 2015 nasceu na Flip de 2014, quando Paiva narrou trechos ainda crus da obra sobre sua família. E o que veio depois —como escreve o editor Walter Porto— é história de cinema.

Mesmo depois de se tornar um sucesso literário no Brasil e no mundo, Paiva ainda se questiona. Na época em que lançou “Feliz Ano Velho”, se perguntava: “quem vai querer ler a história de um garoto que fica paraplégico aos 20 anos?”. Agora, a pergunta da vez é: “quem vai se interessar por um cara de cadeira de rodas criando dois filhos?”

Em “O Novo Agora”, Paiva sai pela primeira vez do lugar de filho (de Rubens e Eunice Paiva) para se apresentar como o pai cadeirante dos meninos que chama de Moreno e Loirinho. Em seu terceiro livro de memórias, o autor trata desde o nascimento de seu primeiro filho, há 11 anos, passando pela descoberta da paternidade, o divórcio, a pandemia, a morte da mãe, a adaptação cinematográfica de seu livro e a sensação de caça às bruxas durante o governo Jair Bolsonaro.


Acabou de Chegar

“A Trama das Árvores” (trad. Carol Bensimon, Todavia, R$ 129,90, 648 págs.) entrelaça oito histórias de personagens que tiveram suas vidas impactadas pelas plantas. O romance reflete a vida do autor americano Richard Powers, que largou seu cargo de professor numa das universidades mais prestigiosas do mundo e foi morar no parque florestal Great Smoky Mountains para concluir o livro. Sua obra, segundo o editor Walter Porto, mostra nossa existência como efêmera em relação a muito do resto da natureza.

“Nós que Estamos Aqui Agora” (trad. Kristin Lie Garrubo, Companhia das Letras, R$ 64,90, 136 págs.) nasceu de uma falha que o escritor norueguês Jostein Gaarder busca reparar. Ele contou à repórter Clara Balbi que, ao reler seu best-seller “O Mundo de Sofia”, percebeu que não tinha abordado uma questão da filosofia ocidental que talvez seja a principal pergunta da atualidade: como podemos preservar as condições de vida na Terra?

“Feitiços” (trad. Milena Woitovicz Cardoso, Todavia, R$ 94,90, 368 págs.) foi escrito com raiva pela polonesa Agnieszka Szpila, que se revolta em prol da natureza. Em seu livro de verve ecofeminista, as protagonistas fazem sexo com a Terra. Szpila explica à jornalista Marcella Franco a metáfora de pensar no planeta como Amante Terra ao invés de Mãe Terra: “Mães são pessoas que você pensa que devem tudo a você por causa dos seus traumas de infância, então você acha ok perfurar essa mãe em busca de petróleo e energia. Quando ela é uma amante, a relação fica mais equilibrada, suave e gentil.”


E mais

“Cadelas de Aluguel” (trad. Marina Waquil, DBA, R$ 72,90, 176 págs.) é um romance mosaico, formado por diferentes perspectivas de personagens mulheres que sofrem e exercem violência. Para a crítica Lívia Prado, a autora Dahlia de la Cerda é comparável a outras escritoras latino-americanas que tematizam a violência extrema como Mariana Enríquez e Mónica Ojeda. Mas De la Cerda se diferencia por sua preocupação em chocar e por um tom blasé constante.

“Membrana” (trad. Michelle Strzoda, Relicário, R$ 68,90, 200 págs.), de Jorge Carrión, é um ensaio especulativo que emula o catálogo de um museu construído na selva amazônica por uma rede artificial do próximo século. Buscando o tom da inteligência artificial, a narração se limita a enunciar fatos e enumerar coisas —”deixando a leitura tão animada e cheia de vida quanto a Siri, a Alexa e uma lista de supermercado”, escreve o crítico Joca Reiners Terron.

“Memórias de uma Antropóloga Malcomportada” (Record, R$ 54,90, 224 págs.) é o livro mais íntimo de Mirian Goldenberg. Colunista da Folha há 15 anos, Mirian construiu sua carreira tratando de temas como sexualidade, envelhecimento, corpo e protagonismo feminino. Segundo a repórter Vitória Macedo, o novo livro rompe com o tom analítico dos escritos anteriores de Goldenberg e reúne episódios de sua vida pessoal e profissional em tom confessional.

“Uma História da Velhice no Brasil” (Autêntica, R$ 74,90, 320 págs.) investiga a velhice escondida por trás dos adultos. O livro de Mary del Priore surgiu da constatação dela de que, mesmo em uma era de cirurgias plásticas e medicina avançada, não é possível dominar o tempo. “Parece que inventamos uma nova velhice. Uma velhice com rosto de plástico. Mas, no fundo, o que o velho precisa é morrer com dignidade”, afirmou à repórter Paola Churchill.


Além dos Livros

O escritor Cadão Volpato e o livreiro Bernardo Ajzenberg preparam o lançamento de uma editora independente em maio. A Seja Breve trará ao mercado livros curtos de 80 a 150 páginas em formato pequeno, de cerca de 18 por 12 centímetros. Volpato disse ao Painel das Letras que o selo nasce como um “antídoto” para os tempos atuais de leituras fragmentadas.

A editora Bazar do Tempo organiza lançamentos para confirmar sua nova proposta de investir em grandes reportagens escritas por mulheres. Segundo o Painel das Letras, os dois livros que estreiam essa nova linha editorial serão lançados em junho. São eles: “Como Nasce um Miliciano”, da mineira Cecília Olliveira, e “Gaza Está em Toda Parte”, da portuguesa Alexandra Lucas Coelho.

O autor britânico Neil Gaiman, conhecido por “Coraline” e “Sandman”, vem sendo acusado por diversas mulheres de coerção, assédio e abuso sexual desde julho de 2024. O escritor, porém, nega as acusações e afirma que todas as suas relações foram consensuais. Agora, ele exige uma indenização de US$ 500 mil de Caroline Wallner, uma das mulheres que o acusaram de abuso. Gaiman processa Wallner por ter quebrado um acordo de confidencialidade que eles firmaram em 2021.



Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *